Nepal pede ação global contra aquecimento do clima após tragédia no Himalaia

País quer apoio internacional para enfrentar incertezas climáticas e ampliar a resposta aos desastres

Por JB INTERNACIONAL

O Ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal

O ministro nepalês dos Negócios Estrangeiros, Shisir Khanal, pediu neste sábado um esforço global para enfrentar as alterações climáticas. Segundo ele, o Nepal é uma das principais vítimas do aquecimento global, embora contribua com menos de 0,01% das emissões de gases de efeito estufa.

A manifestação ocorre após o colapso de uma geleira no Himalaia, na última quarta-feira, que desencadeou uma enxurrada devastadora na fronteira entre o Nepal e o Tibete. O desastre deixou pelo menos 683 mortos e mais de 3 mil desaparecidos, ampliando a pressão sobre as autoridades locais e sobre a comunidade internacional.

Investigação conjunta e sistema de alerta

Shisir Khanal informou que o Nepal pretende analisar o ocorrido em um mecanismo conjunto com investigadores chineses. Ele disse ainda que as conversas para criar um sistema de alerta em áreas mais vulneráveis já estavam em andamento antes da tragédia desta semana.

O correspondente ambiental da BBC, Navin Singh Khadka, avalia que, nos próximos dias, será possível entender melhor o peso das alterações climáticas no colapso da geleira. Estudos recentes apontam para um degelo acelerado no Himalaia, e um levantamento divulgado em março indica que as taxas de derretimento na região dobraram desde 2000.

Ajuda estrangeira e buscas por desaparecidos

Inicialmente, Katmandu havia decidido manter equipes internacionais de busca e resgate fora das áreas afetadas, afirmando ter capacidade para conduzir as operações. Depois, o governo reviu a posição e passou a permitir a entrada limitada de especialistas estrangeiros.

Foram autorizados profissionais da Índia, China, Austrália e Coreia do Sul, com experiência em resgates em túneis, análises de DNA e exames forenses. O objetivo é reforçar a identificação das vítimas e ampliar as chances de localizar os desaparecidos.

Projetos hidroelétricos concentram preocupação

Um dos principais desafios está nos projetos hidroelétricos atingidos pela enxurrada, onde 933 trabalhadores e funcionários continuam sem ser localizados, segundo a Autoridade Nacional para a Redução e Gestão de Riscos de Desastres. A situação segue crítica em uma região já marcada pela instabilidade causada pelo degelo e por eventos extremos cada vez mais frequentes. (com informações da RTP e Reuters)