Dívida pública dos EUA supera US$ 40 trilhões e preocupa mercados
Economistas explicam que cortes de impostos, inflação e juros altos ampliaram o endividamento americano, mas descartam insolvência imediata
A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez na história. Segundo economistas consultados, a alta reflete uma combinação de cortes de impostos para os mais ricos, inflação provocada por conflitos internacionais, tarifas de importação e manutenção de gastos militares elevados.
O principal impacto imediato, porém, está no custo de financiamento. Os gastos com juros já chegaram a US$ 1,1 trilhão, mais que o dobro de 2021, e seguem pressionados pela expectativa de inflação e pela instabilidade gerada pela política econômica da Casa Branca.
Por que o número não significa insolvência
Apesar do valor recorde, especialistas descartam um risco iminente de calote. Os EUA emitem a própria moeda e contam com o dólar como principal reserva do planeta, o que sustenta a demanda pelos títulos do Tesouro e reduz o risco de incapacidade de pagamento.
Na avaliação dos economistas, o tamanho da dívida em si não é o principal problema. O ponto sensível está na elevação dos juros cobrados pelos títulos longos, resultado de um ambiente de menor confiança e de pressões inflacionárias, sobretudo as ligadas ao petróleo e às tarifas comerciais.
O peso da política fiscal e de Trump
Os cortes de impostos adotados nos governos de Donald Trump reduziram a arrecadação e ampliaram o déficit. Em 2025, novas medidas voltadas aos mais ricos aumentaram a projeção do rombo fiscal em US$ 4,7 trilhões em dez anos, ao mesmo tempo em que houve redução de recursos para a saúde pública.
Para os especialistas, essa escolha tributária também acentua a concentração de renda no país. Como a carga tributária americana é menor do que a média das economias desenvolvidas, o governo arrecada menos do que gasta, o que ajuda a explicar a escalada do endividamento.
Risco para os mercados e efeito no Brasil
A percepção de que a política econômica dos EUA se tornou mais errática eleva a desconfiança de governos, bancos centrais e investidores. Parte deles tem reduzido a exposição aos títulos americanos, enquanto aumenta a compra de ouro e busca alternativas para preservar liquidez.
Esse movimento pressiona os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e pode influenciar os juros globais. Para o Brasil, isso tende a significar maior dificuldade para reduzir a taxa básica, já que o cenário externo segue exigindo cautela dos mercados emergentes. (com informações de Lucas Pordeus León, da Agência Brasil)