Trump ameaça cassar licenças de NBC, ABC e CNN, que não exibiram seu discurso ao vivo nessa quinta-feira

Casa Branca afirmou que o discurso teria "anúncio importante", mas presidente só fez acusações sem provas sobre falta de lisura nas eleições

Por JB INTERNACIONAL

Donald Trump

Duas das três principais redes de televisão dos Estados Unidos e a CNN não levaram ao ar, em seus canais principais, o discurso de Donald Trump em horário nobre nesta quinta-feira (16). A decisão provocou nova reação do presidente, que acusou as emissoras de participação em um suposto “plano” e voltou a defender que elas deveriam perder suas licenças.

ABC e NBC optaram por exibir a fala apenas em serviços digitais e de áudio, enquanto a CNN afirmou que acompanharia o pronunciamento para fins jornalísticos e o transmitiria em seu site e em uma plataforma paga. Na prática, essas alternativas alcançam público menor do que as redes tradicionais de transmissão.

Trump mira segurança eleitoral e repete ataques

No centro do discurso, Trump retomou críticas ao sistema eleitoral americano a quatro meses das eleições de meio de mandato. Ele disse ter desclassificado informações de inteligência que, segundo afirma, apontariam interferência chinesa na votação dos Estados Unidos, embora avaliações oficiais não tenham encontrado evidências de manipulação do resultado de 2020.

O presidente também mencionou de forma breve a guerra entre EUA e Israel contra o Irã e disse que a economia americana está “em sua melhor forma de todos os tempos”. Ainda assim, a mensagem principal ficou concentrada nas alegações sobre supostas fragilidades na votação e na desconfiança em relação ao processo eleitoral.

Reação da imprensa e pressão política

Antes da transmissão, a Casa Branca argumentou que o discurso deveria ser exibido ao vivo porque poderia abordar diferentes temas de interesse público. Mesmo assim, democratas como Alexandria Ocasio-Cortez pediram que as redes evitassem ampliar declarações que consideram desmentidas.

A CBS transmitiu o pronunciamento e, antes de começar, seu âncora Tony Dokoupil afirmou que parte do que seria dito era falso, justificando a cobertura pelo interesse jornalístico. Depois de cerca de 15 minutos, a emissora contestou publicamente as alegações de fraude eleitoral feitas por Trump.

Um momento sensível para as grandes redes

O episódio acontece em meio a um ambiente delicado para a mídia americana. A ABC enfrenta investigações da Comissão Federal de Comunicações, enquanto a NBC e sua controladora, a Comcast, estão sob críticas do governo. Já a CNN também vive incertezas corporativas e regulatórias ligadas à possível venda da Warner Bros.

Trump vem atacando repetidamente veículos como NBC, ABC e CNN, além de ter criticado duramente a Fox News em outras ocasiões. A divisão entre as emissoras neste caso mostra como a cobertura de discursos presidenciais se tornou mais sensível em um cenário de disputa política, pressão regulatória e desconfiança sobre a imprensa. (com informações da Reuters)

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