Multidão clama por 'vingança' em funeral de Ali Khamenei em Teerã
Irã deu início a uma semana de celebrações por seu finado guia supremo
Uma multidão tomou as ruas de Teerã neste sábado (4) para o primeiro dia de funeral do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morto em um ataque aéreo lançado por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.
Vestidos de preto e agitando bandeiras vermelhas, como um chamado por vingança e justiça, fiéis em luto lotaram a mesquita Grande Mosalla, na capital iraniana, para se despedir do homem que comandou a República Islâmica com mão de ferro durante quase 40 anos.
Durante o velório, foi possível ouvir gritos de "vingança" e "morte à América", em uma ocasião que é vista como um termômetro do apoio da população ao regime, seis meses depois da onda de protestos que chacoalhou o país.
Segundo o vice-diretor de Transportes de Teerã, o serviço de metrô da cidade transportou 2,2 milhões de pessoas na manhã e no início da tarde deste sábado para o funeral, enquanto ainda restam dúvidas sobre a participação do guia supremo Mojtaba Khamenei, filho do finado líder, nas cerimônias fúnebres.
De acordo com o jornal americano The New York Times, Mojtaba teria manifestado o desejo de participar do sepultamento de Khamenei no dia 9 de julho, em um santuário xiita da cidade de Mashhad, e recitar a oração dos defuntos.
As forças de segurança iranianas, no entanto, teriam rechaçado a ideia, temendo que Israel possa tentar matar o guia supremo ou aproveitar a ocasião para descobrir seu esconderijo.
Mojtaba também foi ferido no ataque que matou Khamenei e não apareceu em público desde que assumiu o comando do país.
O caixão de vidro do finado guia supremo, com seu turbante preto, foi exposto em uma plataforma elevada no pátio da mesquita Grande Mosalla, ao lado dos esquifes de seus familiares: a filha Boshra e a neta de 14 meses, Zahra Mohammadi Golpaygani; o genro Mesbaholhoda Bagheri (marido de Hoda, outra filha de Khamenei), e a nora Zahra Haddad Adel, esposa de Mojtaba.
O corpo de Khamenei permanecerá em Teerã até segunda-feira (6), e o governo decretou feriado nacional para permitir a participação em massa da população.
Na terça (7), os caixões serão levadas para a cidade de Qom, epicentro do clero xiita, e na quarta (8), para o vizinho Iraque. O sepultamento, na quinta (9), será também dia de luto nacional.
Ao mesmo tempo, as autoridades da República Islâmica prometem "justiça para os criminosos sionistas e americanos". "O martírio de nosso grande líder não é o fim, mas o início de uma nova fase no caminho da elevação do Islã e do Irã", diz um comunicado do Ministério das Relações Exteriores iraniano.
Já o comandante da Marinha da Guarda Revolucionária, Ali Ozmaei, afirmou que os "regimes arrogantes" que mataram Khamenei vão "enfrentar a ira esmagadora e a dura vingança do Irã". (com Ansa)