Trump reivindica 'virada histórica' dos EUA em discurso mais longo sobre Estado da União
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O presidente Donald Trump se vangloriou nesta terça-feira (24), em seu discurso sobre o Estado da União no Congresso, de uma "virada histórica" dos Estados Unidos, e advertiu que responderá a qualquer ameaça, e isso inclui a América Latina, no mais longo discurso da história sobre o Estado da União.
Nesta ocasião, o pronunciamento durou 1h47, e foi uma tentativa de reivindicar conquistas econômicas que não parecem convencer os americanos, ao lado de êxitos comprovados como a operação de captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro ou a redução da criminalidade.
Dezenas de congressistas democratas boicotaram este evento tradicional que acontece a cada ano, em protesto pelas políticas anti-imigração do mandatário republicano. O líder do partido no Senado, Chuck Schumer, chamou o discurso de "delirante" e distante das dificuldades dos cidadãos comuns.
"Os americanos nunca viram um discurso sobre o Estado da União tão desconectado da realidade. A retórica do presidente e a realidade do país são dois mundos à parte. Donald Trump pintou um retrato delirante dos Estados Unidos que dificilmente algum trabalhador americano reconheceria", afirmou.
Críticas e emoções
Trump não poupou críticas à oposição democrata e aos juízes da Suprema Corte que lhe infligiram um duro revés jurídico há quatro dias, ao derrubarem sua política tarifária. Uma sentença "muito infeliz", frisou.
Mas também causou momentos de surpresa e emoção, como a aparição no recinto de um ex-candidato presidencial venezuelano que acabara de sair da prisão em Caracas, Enrique Márquez, para se reunir com uma sobrinha.
Ou o caso do soldado da Guarda Nacional Andrew Wolf, baleado na cabeça por um refugiado afegão em Washington em novembro do ano passado. Ele também apareceu na tribuna de convidados, ao lado de sua mãe, para receber uma condecoração militar.
"Estamos restaurando a segurança e a dominação dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental", disse Trump.
"Durante anos, amplas porções de território em nossa região, incluindo grandes partes do México, têm sido controladas por sanguinários cartéis do tráfico de drogas", acrescentou.
No fim de semana passado, os serviços de inteligência americanos tiveram um papel decisivo para que o Exército mexicano localizasse e matasse Nemesio Oseguera, conhecido como "El Mencho", chefe do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG).
"Depois de apenas um ano, posso dizer com dignidade e orgulho que conseguimos uma transformação como jamais se havia visto, e uma virada histórica", disse o presidente de 79 anos, em seu segundo e último mandato.
Trump também assegurou que a Venezuela já vendeu aos Estados Unidos "mais de 80 milhões de barris" de petróleo.
Depois, de surpresa, apresentou Márquez, "sequestrado pelas forças de segurança e enviado à infame prisão do regime em Caracas", e libertado graças à pressão de Washington.
A 'era de ouro' ausente
Trump também apresentou a equipe de hóquei sobre o gelo masculina, que ganhou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos em Milão, algo que não conseguia desde 1980, e ainda por cima contra o Canadá.
O presidente alternou esses momentos de fervor patriótico com provocações aos democratas que decidiram comparecer ao recinto da Câmara dos Representantes.
Os "democratas estão destruindo o nosso país, mas os paramos a tempo", afirmou Trump, diante dos protestos dos opositores. Depois, pediu a aprovação no Congresso de uma lei de identificação dos eleitores.
"Você matou americanos!", retrucou uma representante democrata, a política de origem somali Ilhan Omar.
A deputada se referia à morte de dois ativistas contrários às operações de repressão aos imigrantes em situação irregular na cidade de Minneapolis, a mais grave crise política de Trump neste segundo mandato, e o motivo de uma queda em sua popularidade.
Trump também voltou a emitir advertências a inimigos como o Irã, mas não propôs uma agenda importante para a segunda metade de seu mandato.
Há um ano, o republicano prometeu o início de uma "era de ouro" para seu país, frustrado pela inflação persistente, pela divisão política e pela crescente sombra da China.
Apesar do ritmo frenético de seu segundo e último mandato, Trump ainda não cumpriu essa promessa.
O crescimento econômico em 2025, de 2,2%, foi menor que o do ano anterior, a inflação permanece alta (2,9% em dezembro, na comparação anual) e apenas o emprego apresenta um bom ritmo.
O Congresso retoma suas sessões esta semana sem ter resolvido o impasse sobre o financiamento do Departamento de Segurança Interna.
No centro das negociações entre republicanos e democratas estão as agências de imigração, que podem continuar operando por enquanto, pois seu orçamento foi aprovado no ano passado.
As pesquisas mostram resultados mistos em relação a Trump. Os principais índices de opinião indicam menos de 50% de aprovação, mas seus apoiadores permanecem firmes, enquanto os eleitores democratas parecem estar novamente mobilizados.
Se as eleições de meio de mandato, que renovarão parcialmente o Congresso em novembro deste ano, resultarem em uma vitória democrata, Trump enfrentará um final de governo difícil.
'Negros não são macacos': congressista exibe cartaz durante discurso de Trump
Um parlamentar democrata foi expulso nesta terça-feira (24) do discurso do presidente Donald Trump sobre o Estado da União, depois de levantar um cartaz que dizia "negros não são macacos", em referência a um vídeo racista de Barack e Michelle Obama publicado nas redes sociais do mandatário americano.
As imagens, publicadas e depois eliminadas do perfil de Trump na plataforma Truth Social, mostravam os Obama — o primeiro casal presidencial negro da história dos Estados Unidos — representados como macacos, o que provocou indignação em amplos espectros da política americana.
Nesta terça-feira, o veterano congressista Al Green, do estado do Texas, ficou de pé quando Trump chegou para fazer seu discurso na sessão conjunta do Congresso, e exibiu o cartaz de protesto antes que alguém na plateia aparecesse e tentasse arrancá-lo de suas mãos.
Green permaneceu firme e continuou segurando o cartaz quando Trump iniciou seu discurso em horário nobre.
No entanto, o legislador foi retirado do recinto em meio aos cânticos de "USA! USA! USA!" ("Estados Unidos! Estados Unidos! Estados Unidos!").
No ano passado, Green brandiu sua bengala contra Trump e gritou com ele enquanto o presidente discursava no Congresso, o que provocou vaias de alguns republicanos presentes e fez com que ele fosse escoltado para fora do recinto. (com AFP)