Trump faz discurso em Davos enquanto as tensões com a Europa aumentam por causa da Groenlândia

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Por JB INTERNACIONAL

O norte-americano falou de improviso por mais de uma hora

Trump começou seu discurso em Davos, nesta quarta (21), dizendo que é ótimo falar com "tantos amigos, alguns inimigos", provocando risadas no auditório.

Ele continuou elogiando a economia dos EUA.

"Os EUA são o motor econômico do planeta. E quando a América prospera, o mundo inteiro explode",  disse.

Ele continuou dizendo: "Certos lugares na Europa, francamente, não são mais reconhecíveis. Eles não são reconhecíveis."

"Quero ver a Europa indo bem, mas ela não está indo na direção certa."

Ele disse que o foco em energia verde e migração em massa foram fatores que prejudicaram a Europa, sem citar evidências.

Trump passou um tempo falando sobre a Venezuela, prevendo que o país teria um desempenho "fantástico" sob controle dos EUA após a queda do ex-presidente Nicolás Maduro.

"A Venezuela vai ganhar mais dinheiro nos próximos seis meses do que ganhou nos últimos 20 anos. Todas as grandes companhias petrolíferas vão entrar com a gente. É incrível", disse ele, sem se alongar.

Trump elogiou a administração comandada pela presidente interina Delcy Rodríguez, dizendo que ela vinha cooperando bem com as autoridades americanas.

"Quando o ataque terminou, o ataque terminou e eles disseram, vamos fazer um acordo. Mais pessoas deveriam fazer isso", disse ele.

Trump então passou para o tema da energia.

"Estamos indo pesado para o nuclear. Eu não era muito fã porque não gostava do risco, do perigo, mas o progresso que fizeram com a energia nuclear é inacreditável, e o progresso em segurança que fizeram é incrível", disse.

"Estamos muito envolvidos no mundo da energia nuclear, e podemos tê-la agora a bons preços e muito, muito seguro."

Ele repetiu suas críticas regulares à energia eólica.

"Eu quero, quero que a Europa vá muito bem. Quero que o Reino Unido se saia muito bem. Sentados sobre uma das maiores fontes de energia do mundo, e eles não a utilizam", disse.

Trump então iniciou suas observações sobre a Groenlândia.

Ele arrancou risadas da plateia ao perguntar se gostariam que ele dissesse algumas palavras sobre o assunto, que vem abalando as relações internacionais há dias.

"Eu ia deixar isso de fora do discurso, mas acho que teria recebido uma avaliação muito negativa", disse.

Após uma longa crítica à Dinamarca, que ele afirmou ser "fraca demais" para proteger a Groenlândia, Trump declarou sua posição principal sobre o território.

"Precisamos dela para a segurança nacional estratégica e a segurança internacional. Essa enorme ilha não segura faz na verdade parte da América do Norte. Esse é o nosso território", disse ele.

Trump disse que nenhuma nação além dos EUA pode garantir a Groenlândia.

"Estou buscando negociações imediatas para, mais uma vez, discutir a aquisição da Groenlândia pelos Estados Unidos."

"Nunca pedimos nada e nunca recebemos nada", disse o presidente sobre a OTAN.

"Provavelmente não conseguiremos nada a menos que eu decida usar força e força excessiva onde estaríamos, franamente, imparáveis. Mas eu não vou fazer isso", garantiu.

"Provavelmente essa foi a maior afirmação que fiz porque as pessoas achavam que eu usaria força. Não preciso usar força. Não quero usar força. Não vou usar força."

"Isso não seria uma ameaça à OTAN", disse Trump sobre sua proposta de aquisição da Groenlândia pelos EUA.

"Isso aumentaria muito a segurança de toda a aliança, a aliança da OTAN. Os Estados Unidos são tratados de forma muito injusta pela OTAN", disse.

Trump se referiu à a maior ilha do mundo, como "um pedaço de gelo".

"Tudo o que pedimos é  o título e a propriedade corretos, porque você precisa da propriedade para defendê-la. Você não pode defendê-la em um contrato de locação", disse.

"Quem diabos quer defender um contrato de licença ou um arrendamento, que é um grande pedaço de gelo no meio do oceano, onde, se houver uma guerra, grande parte da ação acontecerá naquele pedaço de gelo. Pense bem, esses mísseis vão voar bem acima do centro daquele pedaço de gelo."

Trump também falou sobre a guerra na Ucrânia e seus esforços para mediar entre o presidente russo Vladimir Putin e Volodymyr Zelenskiy, da Ucrânia.

"Estou lidando com o presidente Putin e ele quer fazer um acordo, acredito. Estou lidando com o presidente Zelensky, e acho que ele quer fazer um acordo. Vou encontrá-lo hoje, e ele pode estar na plateia agora", disse.

Trump então voltou suas declarações ao presidente francês Emmanuel Macron, zombando dos óculos escuros de aviador que usava em Davos na terça-feira.

"Eu o observei ontem com aqueles óculos escuros lindos. O que diabos aconteceu?", perguntou.

O escritório de Macron disse que a escolha de usar óculos escuros durante seu discurso, que ocorreu em ambientes fechados, foi para proteger seus olhos devido a um vaso sanguíneo rompido.

Após focar em assuntos internacionais por cerca de 50 minutos, Trump passou para questões internas.

Ele mencionou uma ordem executiva que assinou na terça-feira para restringir grandes investidores institucionais de competirem com compradores individuais de imóveis. A Casa Branca afirma que tem como objetivo tornar a moradia mais acessível.

"Nos últimos anos, gigantes de Wall Street e empresas de investimento institucional. muitos de vocês estão aqui, muitos de vocês são bons amigos meus, muitos de vocês são apoiadores. Desculpe fazer isso com vocês, sinto muito, mas vocês fizeram os preços dos imóveis subir ao comprar centenas de milhares de casas unifamiliares, e tem sido um ótimo investimento", garantiu ele.

"Por isso assinei uma ordem executiva proibindo grandes investidores institucionais de comprarem casas unifamiliares. Simplesmente não é justo com o público."

"Não quero fazer nada que vá prejudicar o valor das pessoas que possuem uma casa", acrescentou.

Voltando-se para a questão de um substituto para o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, cujo mandato está previsto para terminar em maio, Trump disse: "Todos que entrevistei são ótimos. Acho que todo mundo poderia fazer um trabalho fantástico".

"O problema é que eles mudam. Quando conseguem o emprego; eles conseguem", disse ele.

Trump criticou severamente Powell por não reduzir as taxas de juros rápido o suficiente. Powell foi indicado por Trump para o cargo em 2017.

"Sabe, eles dizem tudo que eu quero ouvir, e aí conseguem o emprego, ficam presos por seis anos, conseguem o emprego, e de repente 'vamos aumentar um pouco as taxas', eu chamo eles. ' Senhor, prefiro não falar sobre isso.' É impressionante como as pessoas mudam depois que conseguem o emprego. Meio que deslealdade, mas eles têm que fazer o que acham certo."

O presidente dos EUA falou por cerca de uma hora e dez minutos. Depois, passou a responder perguntas do presidente do WEF, Børge Brende.

Além da plateia na sala, centenas de pessoas no saguão de Davos ouviam perto de televisores e em telefones celulares. (com Reuters)