Governo Trump considera ilegítima presidência de Delcy Rodríguez na Venezuela

Na Itália, Salvini criticou Maduro, mas defendeu diplomacia como solução na tensão

Por JB INTERNACIONAL

Governo de Caracas reconheceu Rodríguez como presidente

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou neste domingo (4) que a vice de Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez, não é a "presidente legítima da Venezuela", destacando que o governo norte-americano não reconhece a legitimidade do regime atual.

Em entrevista à TV americana, Rubio explicou que, embora haja pessoas no país que possam promover mudanças, isso é diferente de reconhecer a legitimidade do governo venezuelano, o que só poderá ocorrer após um período de transição e de uma eleição.

O representante do governo de Donald Trump disse ainda que os Estados Unidos trabalharão com autoridades venezuelanas "se tomarem as decisões certas", ressaltando que a transição política não ocorrerá de forma imediata.

"São coisas que levam tempo", enfatizou ele, listando exigências de Washington, como garantir que a indústria petrolífera funcione para o "benefício" da população, o fim do tráfico de drogas e da influência de gangues, a saída de grupos armados como FARC e ELN, e a não aproximação com Irã e Hezbollah.

Sobre a operação militar americana que resultou na captura de Maduro, Rubio esclareceu que não se tratou de uma invasão, mas de uma operação de prisão, e garantiu que os EUA não possuem tropas em solo venezuelano.

Paralelamente, o governo de Caracas reafirmou o reconhecimento da presidência de Rodríguez e rejeitou "o sequestro covarde do presidente constitucional" Nicolás Maduro.

"Em conformidade com a decisão do Supremo Tribunal, reconhecemos a nomeação de Delcy Rodríguez", afirmou o ministro da Defesa e chefe das Forças Armadas, Vladimir Padrino López.

O venezuelano também denunciou o assassinato "a sangue frio" dos guarda-costas designados para proteger Maduro durante a operação. Segundo o jornal The New York Times, o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela deixou 40 mortos.

Itália

Hoje, o vice-premiê e ministro de Infraestrutura e dos Transportes da Itália, Matteo Salvini, disse que "ninguém sentirá nostalgia de Maduro, responsável por matar de fome e oprimir seu povo durante anos", mas defendeu a diplomacia como solução para a tensão na Venezuela.

"Dito isso, para a Liga, a chave para resolver disputas internacionais e acabar com os conflitos em curso deve retornar à diplomacia, respeitando o direito dos povos de decidirem seu próprio futuro", afirmou o líder da Liga.

Salvini destacou ainda o papel das declarações do Papa, que ele considerou esclarecedoras ao defender "a garantia da soberania nacional da Venezuela e o respeito ao Estado de Direito". (com Ansa)