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Edmundo Gonzales, candidato da oposição venezuelana, parte para exílio na Espanha

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Por JB INTERNACIONAL com Reuters
redacao@jb.com.br

Publicado em 08/09/2024 às 05:02

Alterado em 08/09/2024 às 09:33

O candidato presidencial da oposição venezuelana, Edmundo González, no dia em que votou nas eleições presidenciais do país, em Caracas (arquivo) Foto: Reuters/Leonardo Fernandez Viloria

O ex-candidato da oposição presidencial da Venezuela, Edmundo González, partiu para a Espanha após a eleição contestada do país sul-americano, disseram autoridades venezuelanas e espanholas na noite desse sábado (7), após um dia de crescentes tensões diplomáticas.

González, de 75 anos, que concorreu contra o presidente Nicolás Maduro em julho, saiu depois de "buscar refúgio voluntariamente na embaixada espanhola em Caracas há vários dias", postou a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, no Instagram.

"Edmundo González decolou de Caracas em direção à Espanha em um avião da Força Aérea Espanhola", postou o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, no X, dizendo que Madri estava respondendo a um pedido de González.

A saída de González da Venezuela é o mais recente desenvolvimento político desde a eleição do país em 28 de julho. Democracias de todo o mundo criticaram a forma como o governo venezuelano lidou com a votação, que as autoridades eleitorais e seu principal tribunal dizem ter sido vencida por Maduro.

A oposição da Venezuela diz que a eleição resultou em uma vitória retumbante para González, e publicou contagens de votos online que, segundo eles, mostram que ele venceu.

Esta semana, os promotores emitiram um mandado de prisão para Gonzalez em conexão com a publicação online das contagens, acusando-o de usurpar funções, falsificar documentos públicos e conspiração, entre outras acusações.

Mais cedo neste sábado, o governo da Venezuela revogou a autorização do Brasil para representar os interesses argentinos no país, incluindo a administração da embaixada onde seis figuras da oposição estão abrigadas.

A Venezuela rompeu relações com a Argentina após a eleição presidencial. O Brasil, assim como a Colômbia e o México, pediu ao governo venezuelano que publique os resultados completos da votação.
O governo não o fez e a autoridade eleitoral do país disse que Maduro foi reeleito para um terceiro mandato.

Em um comunicado, a Venezuela disse que a decisão, com efeito imediato, se deve à prova de que a embaixada estava sendo usada para planejar tentativas de assassinato contra Maduro e Rodríguez.

O Brasil disse ter recebido a comunicação de que sua autorização havia sido revogada "com surpresa". A Argentina disse que rejeitou a decisão "unilateral". Ambos os países pediram a Maduro que respeite a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.

"Qualquer tentativa de invadir ou sequestrar requerentes de asilo que permanecem em nossa residência oficial será duramente condenada pela comunidade internacional", disse a Argentina em um comunicado. "Ações como essas reforçam a convicção de que na Venezuela de Maduro os direitos humanos fundamentais não são respeitados".

Uma fonte diplomática brasileira disse na tarde desse sábado que a Venezuela garantiu ao Brasil que não invadiria a embaixada.

Em sua declaração, o Brasil insistiu que permaneceria sob custódia e defesa dos interesses argentinos até que a Argentina indicasse outro Estado aceitável para a Venezuela para fazê-lo.

"O governo brasileiro destaca neste contexto, nos termos das Convenções de Viena, a inviolabilidade das instalações da missão diplomática argentina", afirmou, acrescentando que abrigava seis solicitantes de refúgio venezuelanos, bens e arquivos.

A escalada na disputa entre os países sul-americanos foi relatada pela primeira vez pela Reuters.

Em março, seis pessoas pediram asilo na embaixada argentina em Caracas depois que um promotor ordenou sua prisão por acusações que incluíam conspiração. A líder da oposição, Maria Corina Machado, negou as acusações contra seus colaboradores.

Na noite dessa sexta-feira (6), alguns membros da oposição na residência argentina relataram em suas contas X que o prédio estava sob vigilância e não tinha eletricidade. Eles postaram vídeos mostrando homens vestidos de preto e patrulhas da agência de inteligência do governo, SEBIN.

O Ministério das Relações Exteriores da Argentina pediu ao Tribunal Penal Internacional na sexta-feira que emita um mandado de prisão contra Maduro e outros altos funcionários do governo por eventos ocorridos após as eleições.

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(O JORNAL DO BRASIL não tem acesso ao X, em respeito à decisão judicial do STF. O acesso ao X para esta notícia se deu pela agência Reuters, que tem sede fora do País)

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