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Davos: Zelensky pede mais apoio e chama Putin de 'predador'; Papa quer 'enfrentamento a injustiças'

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Por JB INTERNACIONAL
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Publicado em 17/01/2024 às 09:13

Alterado em 17/01/2024 às 11:07

Volodymyr Zelensky em Davos Foto: Ansa

No Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou seu homólogo russo como “predador” e disse que ele não aceitaria “congelar” o conflito.

“Precisamos que Putin perca, podemos fazê-lo. Este ano deve ser decisivo. Lembro que, depois de 2014, houve uma tentativa de congelar a guerra em Donbass. Havia garantidores influentes, entre os quais a chanceler da Alemanha e o presidente francês. Mas Putin é um predador que não se satisfaz com produtos congelados”, discursou.

“Precisamos nos defender, defender as nossas crianças e as nossas mulheres e podemos derrotá-lo em campo, já provamos isso”, acrescentou.

Ainda citando o líder russo, Zelensky prosseguiu: “Um homem, Vladimir Putin, roubou 13 anos de paz substituindo-a com dor, dor, dor que atinge o mundo todo. Putin encarna a guerra, ele é a única razão pela qual certas guerras e conflitos persistem e todas as tentativas de restabelecer a paz falharam, e ele não mudará”.

Em busca de mais apoio, o presidente ucraniano disse que seu país precisa obter uma “superioridade aérea”: “Como obtivemos no Mar Negro. Os parceiros sabem do que precisamos e em que quantidades. Permitiria progressos no terreno. Dois dias atrás, provamos que podemos atingir aviões russos que ainda não haviam sido abatidos”.

“Cada redução na pressão sobre o agressor acrescenta anos à guerra, mas cada investimento na confiança dos defensores encurta o conflito”, disse, depois de criticar os apelos ocidentais a não escalar a guerra, e pedir mais armas e ação por parte dos parceiros.

Zelensky usou o palco de Davos para destacar que Putin não quer parar na Ucrânia: “Se alguém pensa que isso é só sobre nós, só sobre a Ucrânia, está errado. A resposta de Putin aos pedidos de paz sempre foi o recebimento de mais armas da Coreia do Norte e Irã”.

“A guerra acabará com uma paz justa e estável, e queremos que sejam parte dessa paz a partir de agora. Para nos aproximarmos da paz, precisamos de vocês”, apelou.

Ele ainda pediu que sejam ampliadas as sanções contra Moscou: “Como podemos ficar satisfeitos com embargos que nem mesmo bloqueiam a produção de mísseis russos? Em cada foguete russo há componentes chave de países ocidentais, é um fato. Sou grato por cada pacote de sanções aprovado pelos parceiros, mas a paz só se aproximará garantindo que as sanções funcionem 100%”.

Zelensky também se reuniu com aliados à margem do Fórum. “Foi bom começar o dia encontrando o presidente Zelensky. Apesar da situação difícil no campo de batalha, há motivo para otimismo: a Ucrânia conserva sua independência, os ucranianos rejeitaram a Rússia e escolheram o Ocidente, e estão mais próximos do que nunca da Otan”, disse o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte, Jens Stoltenberg.

Zelensky também encontrou o secretário de Estado americano, Antony Blinken. “Estamos determinados a manter o apoio e trabalhamos muito proximamente ao Congresso. Sei que nossos colegas europeus farão o mesmo”, disse Blinken.

“Os nossos corações estão com o seus soldados na linha de frente. Manter a confiança no futuro da União Europeia dará força a eles”, disse a presidente do Poder Executivo da União Europeia, Ursula von der Leyen.

“A Comissão Europeia está levando adiante o processo de adesão e garantindo os meios para a retomada, a reconstrução e as reformas”, concluiu.

Papa pede que participantes de Davos 'enfrentem injustiças'

Francisco enviou mensagem ao Fórum Econômico Mundial

O papa Francisco enviou uma mensagem ao Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, e pediu que os representantes da elite financeira global "enfrentem as injustiças" no planeta.

No texto, o líder da Igreja Católica afirma que acabar com os conflitos militares "exige algo mais que simplesmente colocar de lado os instrumentos de guerra".

"Exige enfrentar as injustiças que são as causas profundas dos conflitos", diz a mensagem.

O Papa citou como exemplos a fome, "que continua afligindo regiões inteiras do mundo", a "exploração dos recursos naturais", que deixa populações "em um estado de indigência e pobreza", e a "disseminada exploração forçada de homens, mulheres e crianças que trabalham por salários baixos e são privados de perspectivas reais de desenvolvimento pessoal e crescimento profissional".

"Como é possível que, no mundo de hoje, as pessoas continuem morrendo de fome, a ser exploradas, condenadas ao analfabetismo, privadas de tratamentos médicos básicos e deixadas sem teto?", questiona Francisco no texto.

Jorge Bergoglio nunca participou presencialmente do Fórum de Davos, mas costuma enviar mensagens para serem lidas aos participantes do evento, que acontece anualmente na Suíça. (com Ansa)

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