ONU: Conselho de Segurança presidido pelo Brasil aprova envio de força internacional ao Haiti
Govrerno brasileiro não enviará homens ao país caribenho, mas considera treinar policiais haitianos para que possam assumir a segurança do país
Depois de meses de debates e polêmicas, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou, nesta segunda-feira (2), a criação de uma missão de segurança multinacional de um ano para o Haiti, liderada pelo Quênia, com o objetivo de, segundo a organização, combater a violência desenfreada das gangues.
A autorização da intervenção estrangeira ocorre no momento em que o Brasil ocupa a Presidência rotativa do grupo e duas semanas após Joe Biden cobrar das Nações Unidas uma providência sobre o Haiti.
A resolução foi viabilizada por 13 votos a favor e duas abstenções, da Rússia e da China, o que sugere que nenhum dos países endossou a resolução, mas também não a bloqueou - os cinco membros permanentes têm poder de veto e os outros três são Estados Unidos, França e Reino Unido, que se posicionaram a favor do apoio.
A missão protegerá infraestruturas críticas, como aeroportos, portos, escolas e hospitais, além de realizar operações conjuntas com a polícia haitiana. O Quênia prometeu enviar pelo menos mil efetivos de segurança e espera-se que outras nações ofereçam recursos humanos e materiais.
Também foi ampliado o embargo de armas, que agora inclui todas as gangues. Autoridades haitianas afirmam que as armas usadas pelas gangues são, em sua maioria, importadas dos Estados Unidos.
O Brasil, que também foi favorável à intervenção, não enviará homens ao país caribenho, diferentemente do que fez na última missão criada pela ONU. Entretanto, segundo apuração do Uol, o governo considera treinar policiais haitianos para que possam assumir a segurança do país.
Divergências
Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, as divergências entre os membros permanentes vinham impedindo o conselho de aprovar resoluções. Diplomatas disseram que as negociações foram tensas com os dois países por várias semanas, com o texto sendo reescrito várias vezes, mas, no final, chegaram a um consenso. No entanto, apesar da aprovação, não está claro quando seria viável iniciar o trabalho no Haiti.
Nesta segunda, novo embate sobre a resolução envolveu dois aspectos. O primeiro era sobre quem iria liderar a missão. Países como Canadá e Brasil foram consultados para enviar tropas, mas se recusaram.
Entre os problemas alegados pelo governo Lula (PT), ainda de acordo com o UOL, está a situação ainda delicada entre o Executivo e as Forças Armadas depois de quatro anos do governo de Jair Bolsonaro (PL). Militares das mais altas patentes também são suspeitos de incitar os atos golpistas de 8 de Janeiro.
O Brasil também insiste que apenas uma missão de segurança não será suficiente para restabelecer a paz no Haiti e defende que um plano de desenvolvimento seja considerado.