Luiz Orlando Carneiro: Wayne Shorter e Joshua Redman tocam no Rio em junho

Os jazzófilos cariocas, afinal, foram contemplados pelos organizadores do novo BMW Jazz Festival – leia-se Dueto Produções, de Monique Gardenberg. As duas maiores atrações do festival – previsto, inicialmente, apenas para São Paulo (Auditório do Ibirapuera, 10, 11 e 12 do próximo mês) – vão se apresentar também no Rio, no Teatro Oi Casa Grande, na noite do dia 13, uma segunda-feira. São eles os saxofonistas Wayne Shorter, 77 anos, e Joshua Redman, 42, expoentes das gerações que começaram a brilhar na cena jazzística, respectivamente, no alvorecer das décadas de 60 e 90.

No dia 14, com vistas a um público mais eclético, o palco do Casa Grande vai receber também a vocalista funk-soul Sharon Jones, à frente da banda Dap-Kings, e o baxista elétrico Marcus Miller, num tributo ao Miles Davis fusionista de Tutu (circa 1968), com a anunciada colaboração de Sean Jones, jovem estrela de primeira grandeza do trompete. Só tocam em São Paulo: O conjunto do saxofonista tenor cult Billy Harper; o tradicional grupo vocal gospel The Zion Harmonizers, de Nova Orleans; o trio (jazzístico) do refinado pianista norueguês Tord Gustavsen; o quarteto (jazzístico, de tempero mediterrâneo) do contrabaixista catalão Renaud Garcia-Fons, com o acordeonista David Venitucci; a Orkestra Rumpilezz, de raiz afro-brasileira, liderada pelo saxofonista Letieres Leite.

Em setembro do ano passado, o público do 9º Festival Tudo é Jazz, em Ouro Preto, foi unânime em atestar (ou confirmar) que Joshua Redman – filho do também saxofonista Dewey, que foi sócio de Ornette Coleman – integra o triunvirato dos grandes do sax tenor em ação, ao lado de Wayne Shorter e Joe Lovano (Sonny Rollins, 80 anos, é hors-concours). Joshua não vem com a sua mais nova formação, o tão falado quarteto James Farm – grupo cooperativo que, além do “J” do saxofonista, tem o “A” de Aaron Parks (piano), o “M” de Matt Penman (baixo) e o “E” de Eric Harland (bateria). Ele vem com os também notáveis Reuben Rogers (baixo) e Gregory Hutchinson (bateria), que atuaram no ótimo álbum Compass (Nonesuch), de 2008, no qual interpretam nove composições do líder e um pequeno divertimento, Moonlight, inspirado na Sonata ao luar, de Beethoven.

O melhor grupo de jazz dos últimos anos é o quarteto de Wayne Shorter (saxes tenor e soprano), que adotou, em 2001, o nome de Footprints – peça antológica escrita por Shorter para o álbum Miles smiles (1966), de Miles Davis. Esse combo reinventa de modo free, num clima harmônico pantonal e polirrítmico – mas com inigualável fluência interativa – temas do líder, preferencialmente. Mas também de Sibelius, de Mendelssohn e até de Villa-Lobos, dependendo do que Shorter combina, na hora, com seus comparsas, os eminentes Danilo Perez (piano), John Patitucci (baixo) e, agora, a mestre-baterista Terri Lyne Carrington (no lugar de Brian Blade). 

Infelizmente, os jazzófilos cariocas não terão a oportunidade de ouvir, ao vivo, o saxofonista Billy Harper, 68 anos, um dos mais underrated músicos da geração pós-Coltrane, e que teve uma espécie de relançamento, nos últimos dois anos, graças a dois álbuns do trompetista David Weiss e do seu conjunto The Cookers. Coincidentemente, na edição de junho da Jazz Times, Harper é a personagem da seção Overdue ovation (Ovação mais do que devida), onde é louvado por Weiss como o “único saxofonista vivo” capaz de ombrear, no palco, com Sonny Rollins e Wayne Shorter.