O líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (SP), afirma que o relatório do Novo Código Florestal, elaborado pelo deputado Aldo rebelo (PCdoB-SP), prima pela agricultura sem prever a sustentabilidade. Ele diz ter esperanças que o relator acate as sugestões do governo, que vão desde a manutenção das áreas de preservação permanente até a ocupação de encostas e morros. Nos últimos dias, Teixeira se envolveu na polêmica sobre a descriminalização das drogas ao defender que o tratamento dado ao usuário saia da esfera penal.
O senhor acredita que será possível ganhar mais prazo para votar o relatório do deputado Aldo Rebelo sobre o Código Florestal, principalmente após o líder do governo, Candido Vaccarezza (PT-SP), dizer que o relatório pode ser votado por meio de acordo?
Para nós o fundamental é conhecer o relatório e ver se ele acatou as propostas do governo. Os pontos mais importantes são a manutenção das áreas de preservação permanente (APPs), da mata ciliar e a proteção dos cursos d’água. Achamos importante a proteção da reserva legal e que, quem não tiver, que a recupere. Também é preciso dispensar o chamado agricultor familiar dessa obrigação, fazer planos de manejo, introduzir o pagamento para os serviços ambientais e continuar protegendo encostas e áreas íngremes que, principalmente na área urbana, tem gerado desastres como aquele do Rio de Janeiro.
Como o senhor analisa o relatório apresentado por Rebelo e as consequências de uma possível aprovação?
Acho que esse relatório não será aprovado no plenário nos termos em que foi aprovado na subcomissão. É um relatório com exagerado viés de que o tema florestal serve apenas à exploração agrícola. É economicista, de exploração sem sustentabilidade. Creio que haverá dificuldades até com os agricultores que tenham consciência ambiental.
O relator do Código Florestal, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) concordou em fazer algumas concessões aos ambientalistas em seu parecer. Considera que as modificações que ele possa fazer sejam suficientes?
Estou aguardando. Tenho a maior esperança que ele acate todas as propostas do governo.
Nos últimos dias, suas declarações sobre drogas causaram frisson na opinião pública. O senhor é favorável à descriminalização das drogas?
Acho que deva ser descriminalizado porque tem que tirar o usuário da esfera penal. Ele é um problema das instituições publicas, da família.
Como avalia a política antidrogas do governo?
Tenho muita concordância, mas como o tema exige muito debate público, sou pela abertura da discussão.
Como avalia os primeiros meses do governo Dilma Rousseff?
Ela está muito bem avaliada. Continua o plano de investimento, lançou uma série de programas e tem atitudes que mostram um governo cheio de iniciativa, com capacidade de governabilidade. A economia está indo bem e há responsabilidade no trato com as contas públicas. E, ao contrário do que pensava uma oposição machista, uma mulher é capaz de dirigir o Brasil.
Já é possível comparar com o governo Lula?
É uma continuidade com aspectos específicos. Achamos que a base do sucesso do governo da presidenta Dilma vem do governo Lula e ela certamente terá condições de aperfeiçoar essa experiência.
Como vê a relação entre Dilma e a oposição?
O governo tem tido respeito inclusive para fazer a pauta de votações, dialogado e ouvido suas demandas. A presidenta Dilma tem feito gestos como aquele de chamar o Fernando Henrique Cardoso, o Itamar Franco, para a visita de Barack Obama.
Como o senhor avalia as críticas da oposição com relação à política econômica, levando em consideração que no início do ano foi verificado o maior índice de inflação dos últimos anos e as últimas as previsões não tem se mostrado nada animadoras?
Essa é uma crítica descabida. Em alguns aspectos é uma inflação conjuntural e, portanto, não sairá da meta. E, também, temos uma inflação de serviços que o governo está tomando providências. Parece que a oposição torce pelo retorno da inflação, mas isso é uma lembrança do final do governo FHC. Nós estamos tranqüilos.
Porque o senhor criticou a criação de um novo partido pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, se pareceu aprovar o ingresso dele na base?
Precisamos ter uma estrutura partidária mais sólida. Essas criações partidárias sem programas... Ele dizer que não é de direita, não é de centro e não é de esquerda demonstra que as razões para a criação do partido não são ideológicas. O fato de ele aprovar as políticas do governo Dilma nós apreciamos.
Como o senhor vê a possibilidade do governo reduzir as emendas parlamentares pela metade?
Esse debate tem que acontecer depois da resolução dos restos a pagar, aí vamos discutir o futuro.
O Planalto está disposto a entrar numa briga com o Congresso?
Por isso digo que a cada dia a sua agonia.