A regra básica para um filme de terror é envolver o espectador no clima e tascar sustos consistentes para que ele se sinta doido para tapar os olhos e não ver nada, mas, ao mesmo tempo, seja capaz de abrir uma brecha para se deliciar com a adrenalina do medo. Esta obra começa exatamente assim, com potencial para causar arrepios, mas, de uma hora para a outra, misteriosamente, rola uma reviravolta. Na trama, um casal com três filhos muda-se para uma casa onde uma das crianças sofre um acidente e fica em transe profundo. Depois de uma série de estranhos acontecimentos e, desconfiados de que existia algo de errado com o local, eles resolvem se mudar. Mas o que não sabiam é que o problema não estava no endereço. Dirigido por James Wan (Jogos mortais IV) e produzido por Oren Peli, criador do sucesso Atividade paranormal, este filme foi realizado com um orçamento bem baixo (US$ 1 milhão) para os padrões hollywoodianos. E mostrou condições de sobra para dar certo, mas a necessidade de “viajar” demais no roteiro, com um papo brabo de projeção astral, e ainda o uso equivocado de humor, botou tudo por água abaixo. Além das sequências iniciais – realmente boas –, o longa tem acertos pontuais, como os tons de cena sinistros, o som, edição e até em parte o elenco. Os erros, porém, são tantos que torna-se difícil não citá-los sem estragar a possível surpresa que possam causar em quem vai assistir e pode até gostar. Para quem curte sacadinhas espertas, o nome do diretor e o boneco Jigsaw (Jogos mortais) estão no quadro negro da sala de aula do pai (Patrick Wilson). Entre as curiosidades, o uso de uma máscara de gás muito louca numa sessão espírita e também da música Tiptoe through the tulips, uma canção popular de grande sucesso do século passado, gravada por Tiny Tim, lembrando bastante aquele estilinho de música “meio” infantil usada, por exemplo, em clássicos do gênero como A hora do pesadelo. Com efeitos especiais apenas coerentes com o valor investido, Sobrenatural mistura Poltergeist, Evocando espíritos e Os caça-fantasmas. E o resultado foi de assustar... de tão ruim que ficou.