Heloisa Tolipan

Sentimentos de Priscilla 

Quanto mais moderno, mais rápido o tempo parece escorrer  entre nossos dedos, afoito por um esconderijo seguro para garantir o sucesso em comer uma vida pelas beiradas. Ou seria, quem sabe, “um rato na sala?”, como bem metaforizou o cineasta e dramaturgo Domingos Oliveira, ao expressar a necessidade de repensar seus mais intensos flashes de vida, no momento de apagar suas 75 velinhas de aniversário. Por isso, Domingos resolveu levar aos palcos do Oi Futuro, em Ipanema, sua trilogia Sentimento do Mundo, que teve a estreia de sua primeira parte, Da sociedade e da condição humana, na última sexta. Mas, feminismos à parte e a licença devida do uso do clichê, todo um grande homem tem sempre uma grande mulher por trás, ou vai negar? Então, claro, fomos em busca de Priscilla Rozembaum, dona da cena e do coração de Domingos,  para sabermos o que ela está achando dessa história toda...

Como tem sido, para você, estar no elenco dessa reflexão compartilhada de seu marido sobre a vida?

Incrível. São coisas que eu sempre ouço ele falar em casa e pensamentos muito conhecidos, que regem a vida dele. Isso faz com que me sinta um pouco em casa também e mesmo com uma palavra ou outra que não faz parte de meu vocabulário pessoal, naquele momento, eu finjo que faz. Domingos diz que esse projeto é uma polaróide da paisagem interior dele e, como ele gosta de cantar, o espetáculo tem as canções bem particulares, questões de seu cinema e filosofia. Tudo muito divertido.

De todos os momentos que ele escolheu destacar, qual foi aquele que não poderia, jamais, ficar de fora?

Acho que é o momento no qual Domingos fala da arte e de seus mandamentos. Como Moisés tem dez mandamentos, Domingos tem seus sete. Também acho que o momento em que ele explica o porquê da dor na perda de um grande amor também se torna muito importante.  

Você também faria um espetáculo reunindo seus pensamentos de uma vida ou acredita na intimidade do pensar?

Sim, claro. Chamamos esse espetáculo de manual de autoajuda para rebeldes. Não temos mau caráter, não-criminosos, somos ok, e eu acho ótimo mostrarmos o que pensamos. 

E o público: o que tem achado de toda essa viagem?

A recepção foi maravilhosa, como você acabou de ver.  As pessoas estavam muito atentas, riram e cantaram juntas.  E é bem diferente, é uma filosofia fácil, de botequim, nada complicado. Acredito que não será de outra forma nas apresentações das próximas semanas. A Do amor vai ser no próximo fim de semana, iniciando na sexta. E , o último capítulo, Do mistério e da arte, na semana seguinte.  

Como estão os preparativos para as duas últimas partes?

Já estão todos muito ensaiados, só que, agora, estamos mais voltados para Do amor. Afinal de contas, é um assunto que muito interessa ao público, não é? E a arte também é um assunto que abrange uma questão bem global. É impossível se viver sem arte, independente do que você faça.  Se, por alguma maneira, não puder exercer sua profissão dessa forma,  é a hora de repensar.

***

Ação entre amigos 

São 25 anos de estrada, mas já fazia 12 que esta locomotiva sueca de hits não percorria nossas curvas. E, depois de tanto tempo de espera, o reencontro rolou sábado, no Citibank Hall, diante de uma plateia emocionada e ansiosa para ouvir, mais uma vez, ao vivo clássicos como The look e Listen to your heart. No entanto, o chamego entre o Roxette, duo composto por Marie Fredriksson e Per Gessle, e o público carioca ultrapassou o line-up convencional. Motivo? Durante a apresentação, Per fez questão de executar solo de guitarra de Garota de Ipanema, já que, durante a ensolarada tarde antecedente à performance, havia conhecido nossas areias mais charmosas. Como bem definiu o parceiro de Marie, Roxette e Rio de Janeiro são apenas como bons amigos que não se viam há muito tempo e agora decidiram ajustar as arestas da relação.