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Crítica | Rango | Herói por acaso

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Uma das primeiras coisas que despertaram interesse neste projeto foi a coincidência de Johnny Depp interpretar um camaleão, uma vez que o profissional se adaptou perfeitamente aos diversos papéis, por mais estranhos que fossem. Mas o espectador que compartilhar da mesma admiração pelo ator precisa ficar atento, pois o filme estreia no Brasil com 80% das cópias dubladas. A decisão da distribuidora visa atrair a turminha com seus pais e pode até dar certo, mas existe uma grande possibilidade de os pequenos não se identificarem e ainda levarem alguns sustos. Produzida pelo Nickelodeon, canal por assinatura voltado para os mais novos, esta animação, diferentemente da maioria, não é voltada para a família. Para aqueles que não gostam de filmes dublados, a boa notícia é não contar com brasileiros “famosos” e sim com as vozes de profissionais do ramo, conferindo qualidade total ao resultado final dos sotaques roceiros.

Ao apresentar um camaleão estrábico, criativo e morador de um aquário seco, onde fantasiava as mais inusitadas histórias, o longa até causa uma certa estranheza inicial. Mas após o acidente que tira o personagem da prisão e abre as portas para a primeira experiência em liberdade, ao lado de um sapo, abaixo de um falcão e tendo uma garrafa de refrigerante como coadjuvante,  não deixa dúvidas do que virá pela frente. A divertida sequência até agradaria à criançada, mas o que vem depois muda o rumo da prosa. 

Refém da nova realidade, o lagarto embarca numa aventura com diálogos complicados para envolver o espectador na trama, que ganha contornos de faroeste quando o simpático animal descobre que precisa conhecer Poeira, uma inóspita cidade dominada pela corrupção. Estranho numa terra estranha e seguindo seu instinto, ele tenta se camuflar junto aos habitantes numa sequência hilária. É quando começa a verdadeira transformação do protagonista sem nome, sem identidade e amigos, cujo destino o levou a adotar a alcunha de Rango. E, em nome da esperança, passaria a acreditar em sua própria história. Com personagens ricos em detalhes e cheio de referências, vai ser difícil para o cinéfilo de plantão não se encantar pelo filme. Galopando pelo western spaghetti de Sergio Leone e abrindo espaço para Guerra nas estrelas, de George Lucas, que inaugurou os efeitos especiais da Industrial Light Magic, ficou claro que tem mais gente competente neste concorrido mercado.

Dirigido, produzido e criado por Gore Verbinski (Piratas do Caribe), os diálogos e closes rendem divertida homenagem aos clássicos poeirentos. Assim como todas as cenas, envolvendo uma população que guarda água no cofre de um banco, rende devoção a uma torneira e está intrigada com o sumiço do precioso líquido. A trilha sonora de Hans Zimmer, oscarizado com O rei Leão e autor de inúmeros sucessos, só colabora para o alto nível. Contudo, quem quiser ouvir Depp e o superelenco de coadjuvantes terá que procurar um cinema com a cópia legendada, sem dúvida alguma. Por outro lado, a certeza é uma só: dublado ou não, Rango já é uma grata surpresa de 2011. E prepare-se para um conhecer um verdadeiro herói por acaso.