PROGRAMA: Crítica / Justin Bieber – Never Say Never

Uma das primeiras coisas que vieram à mente quando esta produção foi anunciada era a relevância da vida ou carreira de alguém que começou “ontem”. Afinal, com um primeiro álbum lançado em 2009 (!), o que significa uma cinebiografia em 2011? A resposta, queira ou não, você pode encontrar neste documentário. E não precisa ser do time que se descabela para (até) gostar do filme, entender o porquê dele e, quem sabe, virar fã. Ops! Aí já é demais.

Aos desavisados, o documentário não é legendado nem dublado. A opção foi pelo voice over, comum em transmissões ao vivo com tradução simultânea. Ou seja, você ouvirá sempre a voz original, seguida de uma dublagem para o português. Feitas as devidas apresentações, o que o espera na sala escura é uma história que tem como pano de fundo a realização de um sonho: cantar no lendário Madison Square Garden, em Nova York.

O filme abre com uma simulação do que seria uma caixa-postal eletrônica de alguém encaminhando um link de um vídeo musical publicado na internet. E assim começa essa espécie de história de princesas apaixonadas por um príncipe da atualidade, do Twitter e, por isso, mais acessível do que os outros. “Ele é um garoto comum”, diz uma fã.

Filho de mãe solteira e religiosa, Bieber aparece em imagens caseiras que mostram o talento nato com instrumentos musicais, a aventura de tocar na rua por trocados ou disputando um concurso público aos 12 anos. Descobre-se também que os vídeos dele cantando músicas de artistas conhecidos como Chris Brown ou Ne-Yo, publicados na internet, eram para mostrar para familiares distantes. Só que o que acontece na rede mundial não fica em família e  foi visto por um pequeno, e visionário, empresário americano. Daí em diante, é interessante notar a conquista do moleque branco canadense no território do R&B (rhythm and blues), tradicionalmente dominado pelos negros americanos, provocando essa miscigenação musical também conhecida como Bieber Fever (Febre Bieber).

O uso do 3D é mero artifício para rentabilizar a venda do ingresso, mostrando-se totalmente irrelevante. E isso fez com que o roteiro evitasse o uso de imagens de arquivo, que certamente dariam maior peso, direcionando boa parte delas para os créditos finais. A parte “dramática” se restringe a uma rouquidão (?) causada pelo excesso de shows (mais de 80) antes do tal grande dia.

Dirigido por Jon Chu (Ela dança, eu danço 3D), o filme é correto e a edição ajuda a envolver o espectador que tenha um mínimo de abertura musical. A trilha sonora pode não conter pérolas, mas é inegável o talento para compor hits grudentos. Lembre-se que o carinha da “franja jogada para o lado” ainda é o único do ranking da Bilboard (a bíblia da música) a ter quatro músicas no Top 40 antes do primeiro álbum lançado. E sem que uma delas seja a indefectível Baby. Oh!!!

Fenômeno ou tremenda enganação, o fato é que este verdadeiro objeto de idolatria e fruto da internet não deixa dúvidas para muitos, e os fãs contam (e cantam) com essa certeza. Agora, nobre leitor(a), cabe a você, então. assistir, e concluir se o sucesso veio para ficar ou se é “just (in) fever”.