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Que se Dannemann!

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Henry Sobel e suas histórias sobre o perdão T enho grande admiração pelo rabino Henry Sobel. Sempre tive.

Imagine quanta força interior um homem precisa ter para, na condição de rabino, recusar-se a enterrar, na ala dos suicidas, o jornalista Wladimir Herzog, morto nos porões da ditadura brasileira, nos anos 70! Sobel não teve medo de recusar-se a fingir que acreditava nos documentos oficiais. E isso não é pouca coisa, não. A valentia pode custar muito caro, e custava caríssimo àquela época, mas ele não se deixou levar pelo medo de ser íntegro.

Passei a vida vendo, volta-e-meia, Henry Sobel na televisão ou nos jornais, sempre defendendo a paz e os direitos humanos. À frente da Congregação Israelita Paulista, ele tornou-se mais que um porta-voz da comunidade judaica no Brasil: entrelaçou as mãos do judaísmo nas do cristianismo, numa cruzada de generosidade e aceitação das diferenças... coisa raríssima.

Defensor das diferenças, o rabino é, para mim, um professor de humildade e de perdão: sua história me ensinou o quanto o ser humano é frágil e suscetível à violência da opinião pública... o quanto uma vida inteira de acertos pode perder o valor diante do julgamento desprovido de conhecimento de causa... o quanto uma pessoa pode ser afetada pela maledicência e pelo chicote do escárnio... o quanto somos todos humanos, falíveis e com tanta força para a superação de nós mesmos.

Aconselho a leitura do livro Um homem, um rabino , escrito por ele, que tem muito a nos ensinar. E a seguir, divido com vocês uma história ótima, sobre o perdão, que meu amigo rabino me contou, contada a ele, em sua infância, por seu pai: “O rabino chefe da Cracóvia, importante cidade polonesa, viajava de trem para Varsóvia e estava sentado na cabine lendo um livro. Repentinamente, entraram três vagabundos e começaram a jogar cartas. Convidaram o rabino para se juntar a eles, mas o rabino recusou. Um dos vagabundos levantou-se e jogou o rabino para fora da cabine. E o rabino ficou de pé, no corredor, até chegar ao seu destino. Quando os passageiros desembarcavam em Varsóvia, viram uma grande comitiva esperando o rabino. Então, o vagabundo, o mais agressivo deles, reparou que o rabino era alguém de grande valor. Pediu perdão. Mas o rabino recusou-se terminantemente a perd o á l o.

– Mas rabino, perdoar é humano! Eu não sabia que era o senhor! Ao que o rabino respondeu: – Justamente por isso não posso perdoá-lo. Você pensou que eu era outro. Pede, então, perdão a outro, porque eu não fui sua vítima”.