O salário mínimo do governo e o da oposição

O MINISTRO da Fazenda, Guido Mantega, marcou para esta terça-feira uma visita ao Congresso Nacional. Seu objetivo é convencer os parlamentares a aprovarem, na sessão extraordinária de amanhã, o salário mínimo de R$ 545, conforme a proposta do governo de Dilma Rousseff.

Criado para que a menor remuneração paga em território nacional fosse suficiente para um trabalhador manter a si e à sua família em condições minimamente dignas, o salário mínimo, vale dizer, já andou bem pior das pernas. Já equivaleu a apenas 80 dólares, no fim dos anos 80, e hoje está na casa dos 300. E é bom lembrar que, nos anos 40, quando foi instituído, comprava pouco mais de 12 dólares. Em 1994, na introdução do Plano Real, valia US$ 108,47.

Progressos à parte – afinal, é para a frente que se anda – os R$ 545 propugnados pelo governo não vão, ainda, satisfazer as necessidades básicas da família brasileira. Transportes, alimentação e moradia são custos sempre crescentes. Depender da rede pública de saúde também não é o melhor dos mundos, o que inclui despesas com medicina privada no orçamento familiar.

Mas há outro dado a considerar: para a oposição e as centrais sindicais não alinhadas com o governo, é fácil pedir um mínimo de R$ 560 e até de R$ 580, já que não terão que gerir as contas públicas e honrar os compromissos da Previdência.

E o PT sabe muito bem que essa inconsequência política não vem de agora, pois ele próprio usou muito o artifício quando não estava no poder.