O prejuízo da dor

Lesões afastaram 350 mil profissionais do batente, ano passado, e INSS pagou milhões pela conta C ada vez mais o sedentarismo, o sobrepeso e a má-postura estão custando caro às empresas: no ano passado, as lesões ocorridas no local de trabalho foram responsáveis por mais de 350 mil afastamentos de funcionários, segundo dados do Ministério da Previdência.

O prejuízo vai além: somente em dezembro último, o INSS pagou mais de 500 milhões de reais para acidentários (pessoas que recebem aposentadorias por invalidez e auxílio por doenças, morte ou acidentes e que somam, ao todo, 800 mil casos). Deste número, mais de 150 milhões de reais foram pagos para licenças por auxílio-doença, que abarcam os afastamentos devido às lesões ocorridas no trabalho, ou em decorrência dele.

Embora os especialistas afirmem que a postura incorreta, a falta de exercícios e o peso extra sejam os principais fatores que contribuem para o aparecimento das lesões, Rodrigo Teixeira, doutor em ortopedia pela Universidade Federal de São Paulo, explica que o hábito de se auto-medicar agrava o problema. Segundo a pesquisa Dor no Brasil, feita pela Pfizer e pelo Ibope, em 2008, 69% da população costuma procurar um médico somente quando já está com nível de dor entre moderado a intenso. De lá para cá, não mudou muitas coisa: – O brasileiro posterga a ida ao médico – diz Rodrigo. –Em uma pesquisa que fizemos no consultório, verificamos que 70% dos corredores de rua, por exemplo, fazem algum tipo de autotratamento antes de procurar ajuda, e acabam tendo de ir ao médico depois, de qualquer maneira.