Difícil convívio

Algumas exigências não foram atendidas Enquanto líderes da oposição acolheram positivamente as iniciativas do novo governo, alguns cidadãos estão silenciosamente preocupados com o futuro papel da instituição, conhecida por tentar preservar seus vastos interesses financeiros e políticos.

– Tenho medo de que, nos próximos seis meses, o exército faça uma lavagem cerebral no povo para que pensemos que os militares são a melhor opção para o poder – disse a aeromoça Dina Aboul Seoud.

Centenas de policiais egípcios, uma das classes mais detestadas do país, foram para as ruas do Cairo exigir aumento de salário e um melhor tratamento. Eles culpam o ex-ministro do Interior, Habib el-Adly, pela má reputa ção da polícia e buscam perdão pelas ordens que, segundo eles, eram obrigados a o b e d e c e r.

– Nos forçavam a roubar a população. A mensagem era: não se preocupem com seus salários, pois vocês podem pegar o que precisarem das pessoas – contou Ayman Ali, policial há 11 anos.

A poucos metros dali, o tráfego voltava ao normal na Tahrir Square, um símbolo da revolução. Apesar do bom fluxo, os carros passavam entre manifestantes e observadores, muitos deles intrigados com o mural de fotos das pessoas mortas nos conflitos pendurado em um canto da praça.

Em uma explosão de dever cívico, jovens voluntários varreram as ruas, pintaram cercas e meios-fios, lavaram as pichações que pediam a retirada de Mubarak e plantaram árvores na praça. Soldados dirigiam um caminhão com um alto-falante que dizia: “O Egito é querido por nós”.

Apesar de centenas de manifestantes pedirem a permanência na praça até que sejam divulgados mais detalhes da reforma, as tendas estão sendo desmontadas, cartazes sendo retirados e caminhões empilhados com os cobertores que os mantiveram aquecidos durante os 18 dias de protestos.

Algumas exigências ainda não foram atendidas, entre elas a libertação de milhares de presos políticos. Para Essam al-Arian, um dos líderes dos manifestantes, o comprimento dessas exigências trará calma à sociedade.

– Confiar totalmente nos militares é impossível, pois nosso país tem, há 30 anos, instituições corrompidas em todos os setores. Não posso simplesmente supor que o exército seja honesto.