Agressividade no trânsito ainda assusta ciclistas

Diretor da Federação de Ciclismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecierj), o ciclista Alarico Moura pedala 80 quilômetros todos os dias para ir ao trabalho. Deficiente físico, ele teve a perna esquerda amputada após um acidente. O que pode parecer uma tragédia, no entanto, acabou sendo uma benção para Alá, como é chamado.

– Fiquei dois anos paraplégico.

Quando saí da cama, fui obrigado a me exercitar e tomei gosto pela coisa – conta Alá, que tem 65 anos e só usa a bicicleta como meio de transporte. – Meu Chevette está enguiçado na garagem há seis anos.

Exemplo para qualquer um que ainda reluta em adotar as duas rodas, Alarico diz que o segredo de ser respeitado pelos carros é saber se impor .

– Quando falo em impor respeito, não é se jogar na frente do carro, dar fechada. É mostrar que você está ali, faz parte do trânsito e está ciente dos seus direitos como ciclista – aconselha. – Eu sou um atleta, por isso sou diferenciado. Mas mesmo quem usa a bicicleta no dia-a-dia poder fazer isso. Pedalo tranquilamente na Avenida Brasil, por exemplo. É meu habitat.

Para a arquiteta Emeline Abib, além da conscientização dos motoristas, o Rio de Janeiro precisa se adaptar ao ciclismo.

– São pequenas mudanças que incentivariam o carioca a adotar a prática – diz Emeline, que ficou empolgada com a notícia de que as bicicletas terão espaço nos vagões de metrô no ano que vem. – Bicicletários pela cidade, rampas em estações. Com uma cidade linda dessas e algumas mudanças, as pessoas vão adotar a bicicleta.

A empresária turística Patrícia Azevedo conta que adotou o ciclismo quando morava no Canadá.

– Comecei a ver que todo mundo andava de bicicleta lá fora, até para ir na balada – lembra Patrícia. – Sou frequentadora da Lapa e acho que, se o lugar tivesse estrutura para bicicletas, o pessoal abraçaria a ideia. Se a Lapa tivesse bicicletários e estrutura, acho que o pessoal adotaria a ideia do ciclismo Patrícia Azevedo.