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A Polícia Federal também deve cuidar de seus desvios

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QUE HÁ informantes dos traficantes dentro da polícia do Rio, todos sabem. Também é de domínio público que determinados policiais militares e civis extorquem bandidos, saqueiam seus bens ao prendê-los e até cobram para dar segurança aos chefões das quadrilhas. Por isso, a ação da Polícia Federal contra essa banda podre realizada ontem merece aplausos. Centenas de agentes foram às ruas para cumprir 45 mandados de prisão. Poderiam, no entanto, ser o dobro, ou o triplo, sabem bem os cidadãos fluminenses.

Acontece que a criminalidade que se imiscuiu até nas instituições policiais do estado é alimentada por armas e drogas em quantidade. As drogas vêm da Bolívia, da Colômbia e do Paraguai, pelas mesmas fronteiras permeáveis aos armamentos pesados com que os marginais alvejam seus inimigos, sejam eles bandidos rivais, policiais ou a sofrida população civil.

Parece irônico pensar que cuidar das fronteiras brasileiras também é atribuição da Polícia Federal, em associação com os patrulheiros rodoviários, claro. E surge a conclusão óbvia: tão importante para a PF quanto ações como a de ontem é fiscalizar seus próprios agentes e delegados encarregados de fechar as divisas brasileiras à entrada de entorpecentes, armas e munição.

Isso, no entanto, parece difícil quando se pensa na oferta abundante de drogas nas cidades grandes, médias e pequanas, assim como nos autênticos canhões apreendidos nas favelas ainda dominadas pelo crime organizado.