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“Falta remédio para HIV”, diz soropositiva

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Foi assim que a dona de casa D.C.Y, 29, contraiu o HIV do marido, há seis anos. Cerca de quatro meses depois da morte dele, ela descobriu que também estava infectada pelo vírus.– Meu chão desabou quando ele descobriu a doença. Aí eu já imaginei que também estivesse infectada – conta.

Para ela, o mais difícil de tudo foi se acostumar com o coquetel de remédios.

– Meu maior desafio a cada dia é não ter preconceito comigo mesma, porque o coquetel não é moleza, há vários efeitos horríveis, como uma diarréia incontrolável – conta. – As mulheres têm que ser firmes e exigir camisinha. Está faltando atitude da mulherada.

Outra vítima da falta do preservativo é a ativista da ONG Pela Vida, Mara Moreira.. Evangélica, ela contraiu a doença em sua primeira relação sexual, aos 18 anos, quando se casou.

– As campanhas do governo federal são fraquíssimas. A única coisa que fazem é distribuir camisinhas masculinas e ensinar a população a usá-las – reclama.– O SUS não oferece todo o tratamento que os soropositivos necessitam. É muito comum faltar Benzacidrato (remé dio para combater efeitos colate rais) e Aciclovir (medicamento básico para tratar herpes).

Procurado, o Ministério da Saúde informou que a responsabilidade de comprar e distribuir os dois medicamentos é da Secretaria Municipal de Saúde. A Secretaria, por sua vez, informou que houve problemas na distribuição do medicamento, mas o fornecimento já está sendo regularizado.

Globalização acelera a vida sexual, diz sexóloga Para a terapeuta sexual e diretora da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana, Ana Canosa, a globalização ajuda a acelerar todas as atividades dos jovens, inclusive a a vida sexual.

– No mundo globalizado há um “treinamento” do prazer sem compromisso com a possibilidade de “ficar”, e quase 100% dos adolescentes têm a primeira relação sexual com outros de idade próxima – explica.

– Provoca-se um estímulo grande nos jovens. Mas ainda falta mais diálogo e educação dentro de casa.

Segundo o infectologista da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, UERJ, Marcos Junqueira, o mito de que os homens não se infectam quando têm relações sexuais com mulheres soropositivas contribui para a proliferação da doença.

– As mulheres contraem o vírus com mais facilidade que os homens, pois a mucosa da vagina tem um poder de absorção muito maior do que o pênis – explica o médico. – Mas os homens não podem se acomodar e transar sem camisinha. Se a carga viral da mulher infectada for alta, o homem sadio pode contrair o vírus com facilidade.

Falta atitude da mulherada para deixar de transar sem camisinha DCY; soropositiva; 29 anos As campanhas contra AIDS são fraquíssimas. E faltam remédios.

Mara Moreira, soropositiva ativista da ONG Pela Vida.