O verão de Shakespeare

in The Park, série de apresentações de peças do bardo inglês encenadas no Central Park, está entre os primeiros – e mais badalados – da lista. É difícil conseguir um lugar (literalmente) ao sol, ou à luz do luar para assistir a grandes atores, como Robert De Niro, por exemplo, proclamarem os mais célebres versos da dramaturgia ocidental. Pois o Rio ganha sua própria versão do hapenning a partir de amanhã, com a estreia do Shakesparque, no Parque Lage, Jardim Botânico. A ideia é montar, ao ar livre até dia 27 deste mês, trechos das mais importantes peças do autor entrecortados por esquetes que contam sua vida e sonetos musicados.

– Queremos fazer um evento anual, sempre depois do Réveillon e antes do Carnaval – anuncia o diretor Paulo Reis, idealizador do projeto, que já conseguiu a difícil tarefa de se sentar na plateia Q uais são os grandes eventos do verão nova-iorquino? Certamente, o Shakespeare lotada do Central Park. – Este ano, quis focar nas cenas de casais escritas por ele, que sempre me interessaram.

Assim, o público poderá assistir à briga de Titânia (Cláudia Alencar) e Oberon (Antônio Pedro), em Sonho de uma noite de verão , ou à conversa cheia de intenções veladas entre Hamlet (Alexandre Barillari) e Ofélia (Samara Felippo), além de cenas de Ricardo III , A megera domada , Romeu e Julieta , Macbeth e A tempestade . O elenco reúne nomes de várias tribos, como Amir Haddad, Tereza Seiblitz, Jandir Ferrari e André Mattos.

– Ricardo III, A megera domada e Romeu e Julieta estão entre as primeiras peças – explica Reis. – Sonho de uma noite de verão está entre as mais montadas, além de ser uma daquelas de que mais gosto; Hamlet não poderia faltar, seria como ir a Roma e não ver o papa; Macbeth inaugurou o cinema de ação, não tem “gordura” nenhuma e é a que mais empolga. E, por último, A tempestade , que para nós é emblemática.

O diretor se refere à mon tagem do texto, realizada em 1982, ali mesmo no entorno da piscina do Parque Lage, pelo “Pessoal do Despertar”, liderado por ele e celeiro de talentos como Miguel Falabella, Daniel Dantas, Maria Padilha, Fábio Junqueira e Eduardo Lago.

– Foi um momento histórico, e sempre fui cobrado para fazer novamente algo do gênero – conta Reis. – Quando a montagem completou 25 anos, decidi fazer uma homenagem. Tinha traduzido Nada como o sol , de Anthony Burgess, sobre a vida de Shakespeare, e queria fazer uma peça que também contasse a história do autor.

Mas só agora consegui a verba ( vinda do Fundo de Apoio ao Teatro, concedido pela prefeitura do Rio ).

O espetáculo, que se divide em três palcos distintos pelo Parque Lage, está deixando os atores ansiosos – e dá a oportunidade a alguns deles de representarem os personagens imortais do dramaturgo pela primeira vez.