Ensaio da despedida

Sempre gostei de escrever, de improvisar comentários políticos, como fiz na TV Manchete durante anos ESTE É provavelmente o último artigo que batuco para o JB Premium e demais fregueses. Uma decisão que não cobrou preço para ser tomada, pois resulta da imposição de evidências.

Durante mais de 60 anos batuco desde as velhas máquinas que exigiam o esforço dos indicadores até entortá-los em aleijões que impõe o esforço dobrado. Não dá para exigir mais dos venerandos com décadas de sacrifício.

Esta é a razão principal e decisiva. No mais, o caldo grosso da monotonia. Eu vivi os grandes momentos da queda do Estado Novo, como presidente do Centro Acadêmico da Faculdade Nacional de Direito – o Caco que virou nome da praça em frente ao velho e restaurado edifício que frequentei durante cinco anos, até a colação de grau da turma de 1947.

Casado e com dois filhos, conquistei por concurso a vaga de técnico de propaganda, pomposo apelido de redator da Seção de Propaganda. No Saps conheci e fiquei amigo até a morte do diretor, major Umberto Peregrino, o maior administrador que conheci em toda a minha longa vida.

E sempre gostei de escrever, de improvisar comentários políticos, como fiz na TV Manchete durante anos. A TV sem censura reconquistou a vaga do comentarista político, como o Boechat, da TV Bandeirantes, e o casal William Bonner e Fátima Bernardes, da Rede Globo, além de outros craques do Rio, São Paulo, Belo Horizonte e outras capitais.

Trabalhei como redator e depois diretor da Sucursal de O Estado de S. Paulo . Assinei o primeiro comentário político do Jornal do Brasil, q u a n do da reforma do meu saudoso amigo Odylo Costa, filho.

Nos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o comentário político renasceu, adubado pelas fofocas, as entrevistas, as frases gaiatas do mais popular presidente de todos os tempos. Da queda da ditadura do Estado Novo de Getulio Vargas até a ditadura militar dos cinco generais presidentes – Castello Branco, Costa e Silva, a Junta Militar formada pelo general Aurélio de Lira Tavares, do Exército, almirante Augusto Rademaker, da Marinha, e brigadeiro Márcio de Sousa e Melo, da Aeronáutica, foram anos de chumbo, censura à imprensa, cassações de mandatos parlamentares: a ditadura militar sem disfarce. E que se prolongaria nos governos do general Emílio Garrastazu Médici e Ernesto Geisel para a transição nos seis anos do mandato do presidente general João Batista de Oliveira Figueiredo.

Daí em diante os governos civis de José Sarney, o curto mandato de Fernando Collor de Mello, que renunciou passando o cargo ao vice-presidente Itamar Franco. De lá para cá Fernando Henrique Cardoso em dois mandatos e Luiz Inácio Lula da Silva, em mais dois, até a eleição da atual presidente, Dilma R o u s s e f f.

Muita conversa para um recado tão curto. Hoje gosto mais de ler do que de escrever.

Estou lendo as 1.077 páginas da fantástica biografia de Adolf Hitler, o clássico de Ian Kershaw. Já passei do meio.

Conversando, a gente se entende. E não briga.