Sonho que vem de berço

Comparação com futebol dos pais é a maior barreira Amigos, os três jogadores sonham se destacar no América e se transferir para um clube de maior expressão. Mais velho do trio, o meia-atacante Thiago, 27 anos, sentiu na pele o peso de ser filho de Zico.

– Fui revelado no Flamengo, onde meu pai foi ídolo, e sofri com as cobranças não só da torcida – conta Thiago. – Na época, havia até um certo preconceito da diretoria por eu ser filho do Zico, já que davam preferência a jogadores de empresários – conta Thiago.

O jogador lembra que chegou a abandonar a carreira por um ano e meio, depois de jogar no Imbituba (SC), mas voltou este ano com o nascimento do filho Antônio, hoje com quatro meses.

– Quando ele estiver com quatro anos, vou estar com 31. Quero que ele me veja jogar e se orgulhe do pai e não só do avô – sonha o filho de Zico, que acredita ter o mesmo jeito de correr e jogar de cabeça em pé que consagrou o pai.

Thiago nunca se imaginou fazendo outra coisa senão jogar futebol.

– Quando encerrar a carreira vou trabalhar com meu pai nas Escolinhas Zico 10 – adianta.

Compadr es Padrinho de casamento de Thiago, em 2009, o atacante Felipe Adão, 25 anos, também admite que a comparação de seu futebol ao do pai sempre o prejudicou. Revelado no Vasco, onde jogou oito anos nas divisões de base, e com passagem pelo Botafogo, Felipe admite: – Se você vai mal no jogo surgem logo as críticas. Ah! quem jogava bem era o seu pai – lembra o atacante, que acredita ter herdado a clássica matada de bola no peito.

O atacante do América conta com o apoio do ex-artilheiro, que jogou no Vasco, Flamengo, Fluminense e Botafogo.

– Ele sempre me dá uns toques de como agir dentro e fora do campo – revela Felipe, que iniciou a faculdade de jornalismo, mas trancou matrícula por causa do horário.

Caçula do trio e cria do Botafogo, onde o pai se consagrou também na lateral direita, Josimar Júnior, 22 anos, não era nascido quando o pai viveu o auge da carreira. Mas se espelha nele para também chegar à seleção.

– As pessoas que o viram jogar cobram de mim. Mas a gente tem que saber conviver com isso – entende Josimar Júnior.

– Uma coisa tenho e era uma das maiores qualidades dele: preparo físico. Aquele negão tinha um fôlego...

O lateral frisa que os três não estão no América por influência de seus pais.

– Estamos disputando o Estadual por méritos e lutamos pelos nossos objetivos – garante Josimar Júnior, que pretende fazer faculdade de biologia marinha quando encerrar a carreira.