Líderes mundiais veem morte de Kadhafi como passo para democracia líbia

Os principais líderes mundiais expressaram nesta sexta-feira seu desejo de que a morte do ex-homem forte Muamar Kadhafi permita que a Líbia avance para um futuro pacífico e democrático.

"Anunciamos ao mundo que Kadhafi morreu nas mãos dos revolucionários", declarou o porta-voz do Conselho Nacional de Transição (CNT), Abdel Hafez Ghoga. "É um momento histórico, é o fim da tirania e da ditadura. Kadhafi cumpriu seu destino", acrescentou.

O anúncio da captura e morte de Kadhafi deu início a uma série de reações oficiais ao redor do mundo.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que a morte de Kadhafi marca "o final de um capítulo longo e doloroso para os líbios", e pediu às novas autoridades de Trípoli que construam um país "democrático e tolerante".

"Os líbios têm, a partir de agora, a chance de poder determinar seu próprio destino em uma Líbia nova e democrática", declarou.

Obama também alertou os regimes de "mão de ferro" no mundo árabe, afirmando que eles estão prestes a desaparecer.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, por sua vez, disse que a notícia marca uma transição histórica para a Líbia.

"O caminho da Líbia e seu povo será difícil e cheio de desafios. Agora é o momento de todos os líbios de unirem. Este é um momento de reconstrução e de cura, para a generosidade de espírito, não de vingança", disse o chefe da ONU.

Para o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, a morte de Kadhafi põe fim a 42 anos de um reino de terror.

"A Líbia pôde pôr um ponto final em um longo e sombrio capítulo de sua história, e virar a página", enfatizou.

Já o presidente francês, Nicolas Sarkozy, um dos mais fervorosos patrocinadores da intervenção internacional na Líbia, saudou o "desaparecimento de Muamar Kadhafi como um grande passo na libertação da Líbia", enquanto que o primeiro-ministro britânico, David Cameron, lembrou as vítimas de Kadhafi, a quem classificou de "ditador brutal".

O Vaticano, através do cardeal Tarcisio Bertone, pediu que os católicos orem "pela pacificação e a democracia na Líbia", ao comentar a notícia.

A presidente Dilma Rousseff , que se encontra em Angola, não quis comentar a notícia como se fosse a comemoração de uma morte.

"Acho que a Líbia está passando por um processo de transformação democrática. Agora, isso não significa que a gente comemore a morte de qualquer líder que seja. (...) O que queremos é que os países tenham a capacidade de, internamente, viver em paz e com democracia", disse aos jornalistas.

Por fim, as cinco enfermeiras búlgaras que ficaram presas por oito anos na Líbia em função do escândalo da infecção de crianças com o vírus da Aids afirmaram que "Kadhafi teve o que mereceu".

"A notícia me deixou muito feliz. É uma punição. Um cachorro como ele merecia morrer como um cachorro", afirmou Valya Chervenyashka, uma das enfermeiras torturadas e duas vezes sentenciadas à morte no regime de Kadhafi.

Snezhana Dimitrova e Kristiana Valcheva, contudo, tiveram uma reação diferente.

"Eu ficaria feliz se ele tivesse sido capturado vivo", afirmou Valcheva. "Não posso ficar feliz com a morte de ninguém, mesmo de meu inimigo", acrescentou.