Partido Socialista francês define candidato à presidência neste domingo

Em um disputado segundo turno das inéditas primárias abertas aos simpatizantes de esquerda, os socialistas franceses decidem neste domingo se preferem Martine Aubry ou François Hollande como candidato do PS às presidenciais de 2012 contra Nicolas Sarkozy.

Cerca de 9.500 colégios eleitorais instalados em prefeituras, escolas, ginásios e até ao ar livre abriram às 09H00 local (05H00 de Brasília) e fecharão às 19H00 (15H00 de Brasília).

Após uma mobilização "histórica" de 2,6 milhões de eleitores no primeiro turno na semana passada, o Partido Socialista acredita que o número deve ser superado neste domingo.

Às 13H00 local (09H00 de Brasília), ou seja, quatro horas após o início da votação, 868.879 eleitores já haviam votado, indicou Harlem Désir, primeiro-secretário interino do partido

À frente do primeiro turno com 39% dos votos, François Hollande, de 57 anos, deputado e presidente regional, foi o primeiro a votar em seu bastião de Tulle (centro da França), antecipando uma "participação maior" que no primeiro turno.

"Já temos sinais dos franceses que vivem no exterior. Temos confirmações de uma participação maior", disse Hollande, que acredita que irá obter uma "clara vitória".

Favorito à candidatura do PS após a brutal derrota socialista nas legislativas de 2002, Hollande recebeu nestes dias o apoio dos quatro aspirantes à investidura socialista eliminados no primeiro turno.

Manuel Valles e Jean Michel Baylet foram os primeiros a anunciar seu apoio. Foram seguidos por Ségolène Royal, ex-mulher de Hollande por quase 30 anos e mãe de seus quatro filhos, e Arnaud Montebourg, representante da ala esquerda do PS que ficou em um inesperado terceiro lugar com 17% dos votos.

Com este apoio, Hollande deve se tornar neste domingo o candidato socialista às presidenciais francesas.

No entanto, para alguns eleitores não foi uma escolha fácil.

"Duvidei muito até o último momento", explicou Sophie, professora de pintura e desenho de 41 anos, após votar em uma prefeitura do leste de Paris.

"Votei em Martine Aubry porque é mulher e porque diz coisas mais concretas", acrescentou, antes de explicar que definiu seu voto após ler uma entrevista com cada um deles publicada em um jornal francês.

Annette, uma aposentada de 66 anos, disse que votou em Hollande "porque é mais confiável e tem mais capacidade de unidade". Explicou que na hora de votar levou em conta o apoio a Hollande do economista francês Jacques Attali.

De seu bastião de Lille (norte da França), onde é prefeita desde 2001, Martine Aubry, de 61 anos e e ex-ministra do Trabalho, pediu aos simpatizantes de esquerda que votem "com convicção e com o coração" neste segundo turno.

Após uma semana de frases mordazes contra seu rival, a quem considera um representante de uma "esquerda branda" e acusado por ela de ser o "candidato do sistema", Martine Aubry, que sonha em se tornar a primeira mulher presidente da República francesa em 2012, sustentou que "os franceses sabem que podem confiar em mim".

De qualquer forma será preciso esperar o fechamento dos colégios eleitorais.

O resultado é aguardado para as 21H30 local (17H30 de Brasília).

A direita governante seguia mostrando irritação diante do espaço ocupado nestes dias pela oposição socialista.

"Depois da interminável duração desta primária, nesta noite teremos um adversário e por fim chegará o momento das explicações", lançou o número um da União por um Movimento Popular (UMP), Jean François Copé.

Sinal deste incômodo, em Bacarès, um pequeno balneário do sul da França, a prefeitura UMP negou-se a emprestar uma sala para a votação, que ocorreu no jardim de um vizinho.

Os simpatizantes de esquerda que voltaram às urnas neste domingo não eram obrigados a pagar novamente um euro para votar, e um eleitor, citando uma frase de Hollande em um comício, afirmava: "votem, votem, pagar um euro não é caro para se desfazer de Sarkozy".