Cumprindo com o prometido, o Brasil esperou a instância oficial da Organização das Nações Unidas (ONU) para, ao lado dos Estados membros, reconhecer oficialmente o Conselho Nacional de Transição (CNT) rebelde como o verdadeiro governo da Líbia. Ontem, a Assembleia Geral da ONU aprovou, com 114 votos favoráveis, 17 contrários e 15 abstenções, o reconhecimento do órgão de representação dos rebeldes que lutam para encerrar a era de Muammar Kadafi no país do norte da África.
A confirmação de que o Brasil foi um dos a reconhecer o CNT veio através de uma rápida nota do Itamaraty, emitida ontem. "A Segunda Sessão Plenária da Assembléia-Geral aprovou na manhã de hoje, 16 de setembro, a recomendação do Comitê de Credenciais de aceitar o Conselho Nacional de Transição como representante líbio nas Nações Unidas, com voto favorável do Brasil", diz o texto.
Com o voto, cumpre-se o prometido pelo chanceler Antonio Patriota de que a diplomacia brasileira só apoiaria os rebeldes na instância oficial das Nações Unidas. Patriota era contestado por uma suposta demora no reconhecimento do CNT, enquanto que grandes potências ocidentais (como Estados Unidos, França e Reino Unido) e mesmo algumas lideranças muçulmanas (como Turquia) já haviam iniciado os diálogos com os rebeldes. O Itamaraty argumentava que somente a instância internacional da ONU permitiria a devida apreciação da questão.
Na Líbia, os rebeldes ainda lutam pelo controle definitivo do país. Embora a capital, Trípoli, já tenha sido inteiramente tomada pelas forças do CNT, os rebeldes ainda lutam pelo controle de algumas cidades no oeste do país, onde a presença das forças leais ao ditador têm maior presença. O paradeiro do coronel Muammar Kadafi permanece um mistério. Familiares do coronel fugiram para Argélia e Níger.
Líbia: da guerra entre Kadafi e rebeldes à batalha por Trípoli
Motivados pelos protestos que derrubaram os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadafi, no comando desde a revolução de 1969. Rapidamente, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civilque cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas de leste a oeste.
A violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmica intervenção internacional, atualmente liderada pela Otan, em nome da proteção dos civis. No dia 20 de agosto, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque. Na dia 23 de agosto, os rebeldes invadiram e tomaram o complexo de Bab al-Aziziya, em que acreditava-se que Kadafi e seus filhos estariam se refugiando, mas não encontraram sinais de seu paradeiro. De acordo com o CNT, mais de 20 mil pessoas morreram desde o início da insurreição.