O ditador Muamar Kadafi voltou nesta quinta-feira a apelar para que as tribos líbias reajam ao que qualificou de "intervenção estrangeira", dois dias depois de os rebeldes terem invadido seu quartel-general na capital, Trípoli.
O apelo foi feito em curto discurso em áudio, transmitido pela TV Al-Orouba, leal ao regime. Kadafi está em local indeterminado.
O coronel disse que seus seguidores são "maioria" e pediu que eles "purifiquem" Trípoli dos rebeldes.
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Mais uma vez, ele qualificou os insurgentes de "ratos, cruzados e incrédulos". "A Líbia é para o povo líbio e não para o imperialismo e seus agentes, não para a França, não para Sarkozy, não para a Itália", disse. "Trípoli é para você, não para os que dependem da Otan".
E a Otan negou nesta quinta-feira a existência de uma coordenação militar com os rebeldes líbios e reiterou que seu objetivo não é o coronel Muamar Kadafi.
"A Otan não aponta para nenhuma pessoa especificamente", disse a porta-voz da Otan, Oana Lungescu, à AFP. "Não há coordenação militar com os rebeldes", completou.
"Executamos operações na Líbia seguindo ao pé da letra nosso mandato (do Conselho de Segurança da ONU) para proteger os civis", destacou a porta-voz.
Ela disse ainda a organização seguirá "com atenção" a "volúvel" situação no campo de batalha. "Atuamos quando é necessário, quando detectamos ataques ou ameaças de ataques contra os civis", disse Lungescu.
Mais cedo, o ministro britânico de Defesa, Liam Fox, afirmara que a Otan estava contribuindo com "inteligência e recursos de reconhecimento" na busca do líder líbio Muamar Kadafi.
Fox negou-se, no entanto, a confirmar informações da imprensa de que as forças especiais do exército britânico, as SAS, estivessem trabalhando com os rebeldes líbios para localizar Kadafi, que segue em paradeiro desconhecido.
"Posso confirmar que a Otan está fornecendo inteligência e equipamentos de reconhecimento ao CNT (Conselho Nacional de Transição, órgão político da rebelião) para ajudar a localizar o coronel Kadafi e outros membros do regime", que fugiram diante do avanço dos rebeldes na capital na terça-feira, declarou Fox na rede de televisão Sky News.
Ontem, o Conselho Nacional de Transição, órgão político da rebelião, ofereceu anistia e uma recompensa milionária a quem entregar Kadafi vivo ou morto.