Novos disparos de artilharia norte-coreana perto da Coreia do Sul

A Coreia do Norte voltou a efetuar nesta quarta-feira disparos de artilharia perto de sua fronteira marítima com a Coreia do Sul, segundo fontes militares sul-coreanas, na tensa fronteira entre ambos os países do Mar Amarelo.

Poucas horas antes, a marinha sul-coreana havia aberto fogo em resposta a tiros de artilharia norte-coreanos.

O primeiro incidente ocorreu às 13H00 local (01H00 de Brasília), quando a Coreia do Norte disparou perto da fronteira marítima. Pyongyang voltou a disparar às 19H46 local perto da conhecida Linha Limite do Norte, enquanto Seul disse ter replicado como aviso.

"Não houve mais disparos depois, mas estamos vigiando de perto", acrescentou, sem informar quantos disparos foram registrados.

Um morador da ilha de Yeonpyeong, citado pela agência sul-coreana Yonhap, disse que os militares da Coreia do Norte dispararam três vezes, assim como na primeira oportunidade.

Pyongyang havia afirmado no início deste mês que queria retomar o quanto antes as negociações dos Seis (Coreia do Norte, Coreia do Sul, Estados Unidos, China, Japão e Rússia) sobre a desnuclearização do país, após uma série de discussões "construtivas" em julho.

As negociações dos Seis sobre a desnuclearização da Coreia do Norte encontravam-se em ponto morto desde dezembro de 2008. Pyongyang se retirou delas oficialmente em abril de 2009, um mês antes de realizar um segundo teste nuclear, depois do realizado em 2006.

A revelação, em novembro de 2008, de que o país possuía uma usina de enriquecimento de urânio que podia servir para fabricar bombas nucleares, complicou as negociações.

Por sua vez, a Coreia do Norte exortou na segunda-feira a Coreia do Sul e os Estados Unidos a anular as manobras militares que realizam conjuntamente todos os anos, previstas para meados de agosto, se desejarem uma reativação das relações e a desnuclearização da Península Coreana.

Os exercícios militares são "uma guerra de agressão" contra o Norte e conduzem "manobras de guerra nuclear", afirmou o exército norte-coreano em uma carta aberta.

Seul e Washington "deveriam demonstrar ao mundo sua vontade de desnuclearizar a península anulando" estas operações, acrescentou.

Os dois países aliados qualificam as manobras conjuntas, que neste ano terão início no dia 16 de agosto sob o nome de "Freedom Guardian" ("Guardião da Liberdade"), de exercícios habituais de defesa, embora Pyongyang os condene sustentando que preparam uma invasão ao norte da península.

Em exercícios realizados pelas forças armadas sul-coreanas no dia 23 de novembro, a artilharia norte-coreana atirou 170 obuses contra a ilha de Yeonpyeong, onde morreram dois civis e dois militares e dezenas de casas ficaram destruídas.

Estes bombardeios foram os primeiros de zonas civis desde o fim da guerra da Coreia (1950-53).