Voo 447: queda durou três minutos e 30 segundos

O Airbus A330 do voo 447 da Air France que ia do Rio a Paris caiu durante três minutos 30 segundos antes de tocar a superfície do Oceano Atlântico no dia 1º de junho de 2009, e o comandante da aeronave retornou à cabine de comando durante o acidente, indicaram nesta sexta-feira os investigadores franceses.

No momento do incidente, os dois copilotos estavam na cabine e o comandante de bordo repousava. Os medidores de velocidade indicaram valores diferentes, o que fez com que o piloto automático fosse desligado e o alarme, acionado, duas horas e meia após o início da viagem.

O comandante acordou e orientou que o nariz da aeronave fosse empinado. O Airbus A330 subiu para cerca de 11,6 mil metros de altitude, e começou uma descida de três minutos e meio, girando da esquerda para o direita. O mais jovem dos três pilotos entregou o controle ao segundo piloto mais experiente um minuto antes do acidente. Não houve problemas nos motores.

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Os últimos valores registrados são: atitude de 16,2 graus de elevação do nariz, rolagem de 5,3 graus na esquerda e velocidade vertical de -10.912 pés/min.

O BEA havia advertido que seu relatório de hoje não traria conclusões sobre os responsáveis do acidente, limitando-se a dar informações. O escritório está submetido a diversas pressões, as últimas procedentes das famílias das vítimas, que escreveram para o primeiro-ministro francês, François Fillon, para queixar-se dos vazamentos. Airbus e Air France estão interessadas em saber as conclusões sobre a investigação o mais rápido possível.

Segundo o BEA, no comunicado divulgado hoje, "só depois de um trabalho longo e minucioso de investigação é que as causas do acidente serão determinadas e as recomendações de segurança serão emitidas". Elas constarão do relatório final, disse o órgão.

Em meio às apurações oficiais, houve várias informações paralelas e não confirmadas pelas autoridades francesas. Uma delas indicou que o piloto da aeronave não estava na cabine no momento em que soou o primeiro alarme. Outra que o piloto e copiloto se viram obrigados a desviar a rota porque havia uma forte turbulência.

A imprensa francesa divulgou ainda informações que os investigadores do BEA trabalhavam com a hipótese de que o acidente foi causado por erros dos pilotos. Mas o escritório de investigação da França emitiu comunicado oficial desmentindo o dado.

No último dia 24, as autoridades francesas informaram às famílias das vítimas que 29 corpos foram resgatados desde o reinício das operações de resgate, em 21 de maio. Em um primeiro momento, apenas 50 corpos foram resgatados.