Conselheiro de Gbagbo critica tropas francesas na Costa do Marfim

As tropas francesas mobilizadas na Costa do Marfim atuam como um exército de ocupação fora de qualquer mandato da Organização das Nações Unidas (ONU), disse em Paris Toussaint Alain, conselheiro do presidente Laurent Gbagbo, após a tomada do aeroporto de Abidjan pelos soldados franceses.

"Consideramos que esta força atua na Costa do Marfim como um exército de ocupação fora de qualqer mandato, já que o mandato da ONU não dá autoridade às tropas francesas para ocupar o aeroporto de um Estado soberano", declarou Toussaint Alain em uma entrevista coletiva ao lado do advogado francês Jacques Verges, outro conselheiro de Gbagbo.

Forças leais ao presidente eleito Alassane Ouattara lançaram uma ofensiva no começo da semana para expulsar Gbagbo, que tem se recusado a ceder o poder depois de perder para Ouattara a eleição de novembro, reconhecida pela ONU.

A França disse que suas tropas tomaram o aeroporto de Abidjan para facilitar a retirada de estrangeiros e que enviou mais 300 militares para a Costa do Marfim, aumentando o seu efetivo para um total de 1,5 mil militares.

Costa do Marfim: da eleição presidencial a nova guerra civil

Em 28 de novembro de 2010, os eleitores da Costa do Marfim foram às urnas na esperança de escolher o novo presidente para um país que há menos de 10 anos vivera uma violenta guerra civil. No entanto, quatro meses depois, quando o novo governo já poderia estar em plena gestação, o país se encontra dividido entre forças rivais que disputam a vitória eleitoral e, com ela, a liderança legítima da nação.

De um lado está Laurent Gbagbo, presidente desde 2000 e com sede no Sul do país; do outro, Alassane Ouattara, sediado no Norte e com amplo apoio da comunidade internacional. Enquanto a pressão pela renúncia de Gbagbo cresce e o avanço de Ouattara em direção a Abidjan se concretiza, o país se aproxima de guerra civil, na qual dezenas de milhares morreram e milhares deixaram o país.