TRÍPOLI - Os rebeldes líbios reiniciaram lentamente nesta segunda-feira o avanço para Sirte, depois de terem permanecido bloqueados na saída de Ben Jawad pelas forças do coronel Muamar Kadafi. Também nesta segunda-feira, França e Grã-Bretanha afirmaram que Kadafi perdeu a legitimidade e deve partir imediatamente.
Ao contrário do rápido avanço de domingo, facilitado pelos ataques aéreos da coalizão internacional, nesta segunda-feira os rebeldes avançaram apenas 40 quilômetros e chegaram à localidade de Ras Al-Awaja, na estrada que leva a Sirte, e estavam a 100 quilômetros da cidade natal de Kadafi.
No domingo, os insurgentes tomaram o controle de Ben Jawad, depois que recuperaram também o centro petroleiro de Ras Lanuf, 50 quilômetros mais ao leste. No entanto, quando tentaram prosseguir com o avanço foram atacados com metralhadoras pelas forças de Kadafi, que chegaram a bordo de caminhonetes pela estrada que liga Ben Jawad a Nofilia, em direção a Sirte. Os rebeldes recuaram para Ben Jawad, antes de responder com artilharia pesada.
Na tarde desta segunda-feira, retomaram o avanço e pareciam encontrar menos resistência da parte das forças pró-Kadafi.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmaram, em uma declaração conjunta, que o ditador líbio Muamar Kadafi "deve partir imediatamente", e pedem a seus seguidores que o abandonem antes que seja tarde demais. "O regime atual perdeu toda legitimidade. Kadafi deve partir imediatamente", afirmam Sarkozy e Cameron, às vésperas da reunião em Londres do grupo de contato sobre a Líbia.
Este grupo de contato tem a missão de decidir o rumo político dos ataques executados por uma coalizão internacional liderada por França, Grã-Bretanha e Estados Unidos. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) foi encarregada do comando das operações militares.
No mesmo comunicado, Sarkozy e Cameron respaldam um "processo de transição ao redor do Conselho Nacional de Transição" (CNT) líbio, ao qual reconhecem o "papel pioneiro". "Estimulamos os participantes na conferência de Londres a expressar o mais firme apoio ao processo de transição", afirma a declaração de França e Grã-Bretanha, principais países a defender a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU.
A resolução, que permitiu o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea e o uso da força para proteger a população civil da ofensiva das tropas de Kadafi sobre os rebeldes líbios, possibilitou os ataques aéreos da coalizão internacional que começaram em 19 de março.
Os ministros das Relações Exteriores de 40 países participarão na terça-feira em Londres da primeira reunião do grupo de contato. Ao mesmo tempo, a Otan anunciou que os bombardeios na Líbia permanecerão sob controle da coalizão internacional durante 48 horas e, depois do prazo, a organização assumirá o comando efetivo das operações.
"A transição será progressiva e levará dois dias", declarou a porta-voz da Otan, Oana Lingescu, durante uma entrevista coletiva na sede da organização em Bruxelas. Os 28 países da Otan decidiram no domingo assumir o comando da operação militar na Líbia, que era dirigida pelos Estados Unidos desde 19 de março.
O coronel de aviação Geoffroy Booth, membro do Estado-Maior militar internacional da Otan, afirmou que o general Charles Bouchard, que assumiu o comando das operações militares na Líbia em nome da Otan, ainda não exerce ativamente o controle de todos os aspectos da missão. Neste momento, a Otan limita-se a fazer respeitar a zona de exclusão aérea sobre a Líbia. "Os ataques em terra continuam sendo, no momento, operações da coalizão", acrescentou Booth.
A Otan também assumiu o controle do embargo naval para evitar o tráfico de armas e o envio de mercenários à Líbia.