Os dirigntes da União Europeia (UE) devem aprovar nesta sexta-feira, em sua reunião de cúpula em Bruxelas, a realização de "uma limpeza" no parque de centrais nucleares para tranquilizar a população depois do trágico acidente com o complexo nuclear japonês de Fukushima.
O objetivo da UE é aprovar a realização de um rígido controle dos 143 reatores que existem atualmente em 14 dos 27 países do bloco. Este controle seria delegado ao Grupo Regulatório Europeu de Segurança Nuclear (ENSRG), que se reunirá na próxima segunda-feira.
"Devemos nos comprometer ao máximo nível com a segurança de nossas usinas", afirmou a chanceler alemã Angela Merkel.
"Não basta fazê-lo em nível nacional. Devemos fazê-lo também em escala europeia e evidentemente em escala internacional", afirmou ainda a chanceler, cujo país tomou a iniciativa de fechar temporariamente os sete reatores mais antigos entre os 17 de seu parque nuclear.
Para o presidente francês Nicolas Sarkozy, cujo país abriga o maior número de usinas, com 58 reatores (34 dos quais têm mais de 30 anos de idade), se uma central não passar no chamado "teste de stress", deve ser fechada em definitivo.
"Se um reator não passar no teste, será desativado", afirmou.
Apesar das características gerais ainda precisarem ser definidas, os testes da UE permitirão "eliminar as instalações nucleares mais vulneráveis", um risco que até a França está disposta a correr, segundo as fontes diplomáticas.
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, estimou por sua vez que os líderes europeus conseguiram alcançar "um bom consenso sobre o que é necessário fazer".
A decisão foi tomada após acaloradas discussões ao longo da semana sobre como agir, diante da crise nuclear japonesa, em relação às centrais atômicas europeias.
A Europa também convive até hoje com o trauma de Chernobyl, o pior acidente nuclear da história, ocorrido na Ucrânia em 1986.