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Jornalista pede intervenção brasileira para libertar iraquiano

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Brasília - O jornalista Andrei Netto, libertado depois de passar oito dias detido em uma base militar em Trípoli, capital da Líbia, iniciou uma mobilização para que o correspondente do jornal The Guardian, Ghaith Abdul-Ahad também seja liberado. Os dois foram presos juntos no dia 2 deste mês. "É urgente a mobilização diplomática do Iraque, do Reino Unido e, a meu ver, também do Brasil, pela libertação do jornalista", disse o repórter do jornal O Estado de S.Paulo em seu microblog na internet.

"Por favor, iniciemos aqui uma campanha pela libertação urgente de Ghait Abdul-Ahad, preso em Trípoli. Tratamento diferenciado não é justo", acrescentou Netto, afirmando que o repórter do jornal inglês "pode vir a ser levado a julgamento nas próximas horas". Segundo o brasileiro, foi a mulher do jornalista iraquiano quem lhe deu a informação, obtida pelo jornal inglês. Netto lembra ainda que a representação diplomática do Iraque na Líbia está fechada. "Não há ninguém para interceder em favor de Ghaith".

Procurada pela reportagem do Terra, a assessoria do Itamaraty disse não ter informações sobre uma possível movimentação diplomática do Brasil em favor do jornalista iraquiano. Esclareceu ainda que não é algo comum uma representação diplomática fazer pedidos por cidadãos de um terceiro país.

Ao desembarcar em Paris, na madrugada deste sábado, o jornalista brasileiro contou que estava hospedado na casa de um líbio, junto com o correspondente do jornal inglês. A prisão dos dois repórteres ocorreu na cidade de Sabratha, próxima a capital. Netto fez um apelo pela libertação imediata do colega, alertando que não é possível saber em que condições políticas a Líbia estará daqui a uma semana.

Na quinta-feira, o The Guardian publicou nota confirmando a prisão de seu repórter e dizendo estar em contato com oficiais da Líbia em Trípoli e Londres para tentar garantir a segurança do jornalista, que escreve para o jornal desde 2004.

Líbios enfrentam repressão e desafiam Kadafi

Impulsionada pela derrocada dos presidentes da Tunísia e do Egito, a população da Líbia iniciou protestos contra o líder Muammar Kadafi, que comanda o país desde 1969. As manifestações começaram a tomar vulto no dia 17 de fevereiro, e, em poucos dias, ao menos a capital Trípoli e as cidades de Benghazi e Tobruk já haviam se tornado palco de confrontos entre manifestantes e o exército.

Os relatos vindos do país não são precisos, mas a onda de protestos nas ruas líbias já é bem mais violenta que as que derrubaram o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak. A população tem enfrentado uma dura repressão das forças armadas comandas por Kadafi. Há informações de que aeronáutica líbia teria bombardeado grupos de manifestantes em Trípoli. Estima-se que centenas de pessoas, entre manifestantes e policiais, tenham morrido. Muitas dezenas de milhares já deixaram o país.

Além da repressão, o governo líbio reagiu através dos pronunciamentos de Saif al-Islam , filho de Kadafi, que foi à TV acusar os protestos de um complô para dividir a Líbia, e do próprio Kadafi, que, também pela televisão, esbravejou durante mais de uma hora, xingando os contestadores de suas quatro décadas de governo centralizado e ameaçando-os de morte. Desde então, as aparições televisivas do líder líbio têm sido frequentes, variando de mensagens em que fala do amor da população até discursos em que promete vazar os olhos da oposição.

Não apenas o clamor das ruas, mas também a pressão política cresce contra o coronel. Internamente, um ministro líbio renunciou e pediu que as Forças Armadas se unissem à população. Vários embaixadores líbios também pediram renúncia ou, ao menos, teceram duras críticas à repressão. Além disso, o Conselho de Segurança das Nações Unidas fez reuniões emergenciais, nas quais responsabilizou Kadafi pelas mortes e indicou que a chacina na Líbia pode configurar um crime contra a humanidade. Mais recentemente, o Tribunal Penal Internacional iniciou investigações sobre as ações de Kadafi, contra quem também a Interpol emitiu um alerta internacional.