Rebeldes podem encorajar ataque aéreo à Líbia, diz jornal

TRÍPOLI - Os rebeldes líbios estariam cogitando encorajar ataques aéreos contra importantes instalações militares das forças de Muammar Kadafi, informa reportagem do New York Times. O plano do conselho de líderes rebeldes que lutam contra o regime do coronel envolveria, todavia, requerir que o ataque fosse realizado sob a tutela da Organização das Nações Unidas (ONU), o que, de acordo com o jornal, impediria que a ação fosse qualificada como uma "intervenção internacional".

Com uma intervenção realizada com o apoio da ONU, a estratégia do conselho - o qual foi anunciado nesta terça para gerir os esforços em direção à derrocada de Kadafi - seria contar com o apoio da massa dos manifestantes, cujo sentimento comum é de repulsa à ideia de interferência estrangeira na revolução. Como exemplo serviriam as populações tunisiana e egípcia, que igualmente protagonizaram levantes contra seus presidentes, durante os quais gestaram um forte sentimento de nacionalidade e independência do exterior.

A hipótese levantada pelos rebeldes líbios ocorre em meio à crescente força dos protestos contra Kadafi, acompanhada da resistência do coronel em ceder poder. O país vai gradualmente dando a impressão de estar dividido entre os movimentos opositores e redutos de resistência de Kadafi. Estima-se que a onda de violência resultante da equação já tenha matado mais de mil pessoas - número certamente superior aos movimentos na Tunísia e no Egito somados. Mais de 100 mil já deixaram o país.

Do lado de fora, cresce a pressão sobre o governo. Nesta terça, em meio a mais uma rodada de condenações e recriminações às ações de Kadafi, a Líbia foi suspensa do Conselho de Direitos Humanos das Organizações Unidas. O gesto, porém, como também indica a matéria do New York Times, está ainda muito longe das pretensões dos rebeldes de eventualmente poderem contar com um ataque concreto e direto para enfraquecer o líder líbio.

Também hoje a agência AFP noticiou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) permanece sem plano completo para uma ação em solo líbio.

O ataque aventado pelo conselho, segundo a reportagem do jornal, teria como alvo somente alvos militares, e, como objetivo, reduzir o poderio das forças do governo. Entre as bases cogitadas está a da capital líbia, Trípoli, que se tornou palco da cisão do país. Ataques diretos contra indivíduos não estariam nos planos do conselho, de acordo com a matéria.