Kadafi promete "enfiar os dedos nos olhos de quem desafiar o poder"

Ditador também afirmou que desde 1977 é o povo líbio que exerce o poder

TRÍPOLI - Muamar Kadafi, que enfrenta uma revolta popular e a condenação da comunidade internacional, pronunciou um discurso nesta quarta-feira em uma cerimônia pública em Trípoli, segundo a televisão oficial, e reiterou que não exerce nenhum poder real na Líbia. Ele também afirmou que vai "enfiar os dedos nos olhos" de quem desafiar o poder do povo".

"Desde 1977, eu mesmo e os oficiais que lideraram a revolução de 1969 entregamos o poder ao povo", declarou aos partidários em uma cerimônia para celebrar o 34º aniversário do estabelecimento do "poder das massas" na Líbia. "Desde 1977 é o povo líbio que exerce o poder", afirmou.

Kadafi disse ainda que o mundo "não entende" o sistema líbio de democracia direta, explicado em seu "Livro Verde", espécie de Constituição informal do governo. Ele também afirmou que "não é presidente" e, portanto, não pode renunciar ao seu cargo.

O ditador também voltou a negar que a Líbia enfrente "problemas internos". Em compensação, acusou novamente a rede Al-Qaeda de ser a origem dos distúrbios no país. Também pediu que a ONU envie uma missão de verificação a seu país e prometeu: "Combateremos até o último homem e a última mulher".

Dezenas de pessoas, presentes no evento, gritaram frases a favor de Kadafi e cantaram o hino nacional antes do discurso.

E o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, fez um apelo nesta quarta-feira ao ditador líbio Muamar Kadafi, afirmando que ele deve renunciar ao poder e "devolver o país ao povo da Líbia".