Policiais e soldados abandonam cidade de Zuara, no oeste da Líbia

Policiais e soldados abandonaram Zuara, 120 quilômetros a oeste da capital líbia, Trípoli, afirmaram à AFP testemunhas que chegaram do local por estrada nesta quinta-feira.

"Não há policiais ou soldados, são as pessoas que estão mantendo a cidade. Houve muitos tiros entre 19H00 e 22H00 (local) de ontem", afirmou o egípcio Mahmoud Mohammed Ahmed Attia, de 18 anos.

Outro egípcio, o pescador Meher Ali, de 40 anos, disse que membros do Comitê Revolucionário da Líbia, a espinha dorsal do regime de Muamar Kadhafi, fugiram na sexta-feira deixando suas armas e sem atirar nas pessoas.

"Policiais fugiram, abandonando suas armas. Eles deixaram o local sem atirar nos manifestantes. Agora as armas estão nas mãos do povo", confirmou Salem Daoud, de 27 anos, outro pescador egípcio.

Em meio ao caos, bancos e a delegacia de polícia foram incendiados. Lojas permaneceram fechadas. Mulheres se esconderam dentro de casa com seus filhos enquanto os homens se organizaram para defender a cidade, disseram as testemunhas.

"Os moradores protegem suas propriedades com armas", disse Daoud.

Mas prosseguiram os confrontos entre grupos pequenos, disse Mahmoud Ahmed, de 23 anos, embora ele não tenha dito quem estava envolvido.

"As pessoas estão divididas entre opositores e simpatizantes de (Muamar) Kadhafi, mas há mais opositores", acrescentou - uma informação confirmada por Rayyan, de 23 anos, outro egípcio.

Na estrada para a Tunísia, pessoas fugindo da cidade afirmaram que foram paradas duas vezes, uma em Boukameche, a cerca de 20 km da fronteira com a Tunísia, depois que homens em uniformes atiraram em seus carros.

"Eles nos fizeram sair de nossos carros com nossas mãos na cabeça", disse Baker Hamouda, outro pescador egípcio, de 23 anos.

Mais adiante, em um posto fronteiriço, "estranhos" roubaram seu dinheiro e os cartões de memória dos telefones celulares para paralisar a divulgação de imagens da Líbia, disse seu amigo Ali, de 40 anos.

Em outro local do oeste da Líbia, em Gherienne, a 90 km de Trípoli, a situação ainda não estava clara.