Sul da Europa pede fundo especial ante onda de imigrantes

Os ministros do Interior de seis países do sul da Europa (Itália, França, Espanha, Grécia, Chipre e Malta) solicitaram nesta quarta-feira em Roma a criação de um fundo especial para a imigração, ante a eventual onda de imigrantes ilegais provenientes do Norte da África.

A solicitação será apresentada na quinta-feira à União Europeia durante a reunião em Bruxelas dos representantes dos 27 países.

"Pediremos um fundo especial de solidariedade para os países que devem enfrentar os maiores fluxos migratórios pela crise na África do Norte", declarou o ministro italiano do Interior, Roberto Maroni.

O ministro propôs a criação de um "sistema de asilo comum e sustentável baseado na solidariedade".

Para fomentar tal sistema, Maroni pediu aos demais países que realizem programas específicos.

Os seis ministros estiveram reunidos em Roma, para elaborar "uma posição comum" sobre o tema, que divide a União Europeia.

A Itália, uma das primeiras portas de entrada ao continente europeu para estes imigrantes, teme que a crise líbia possa desencadear um êxodo de proporções nunca vistas, advertiu o ministro das Relações Exteriores, Franco Frattini.

Calcula-se que cerca de 200 a 300 mil imigrantes podem alcançar as costas italianas no caso de queda do coronel Muamar Kadhafi, após a revolta iniciada no dia 15 de fevereiro.

Para Maroni, cerca de 6.300 imigrantes tunisianos chegaram à Itália desde o início da crise na Tunísia, em meados de fevereiro.

Segundo o ministro, apenas uma centena pediu asilo, enquanto a maioria permanece em centros de abrigo para serem identificados e posteriormente repatriados.

A rebelião na Líbia foi inspirada nas que, nas últimas semanas, derrubaram os regimes autoritários de Tunísia e Egito, em uma inédita onda de protestos nos países árabes.