Cerca de 500 pessoas, a maioria de origem líbia, manifestaram-se na tarde desta terça-feira em frente à residência londrina do primeiro-ministro britânico David Cameron, em Downing Street, gritando "justiça agora" e "Kadhafi deve partir", constatou a AFP.
"Chegou a hora de vocês desmontarem suas barracas e tirarem suas roupas engraçadas, e partir como seus colegas ditadores do Egito e da Tunísia", declarou um dos organizadores, Hisham Benghalbon, que se dirigia ao presidente líbio Muamar Kadhafi.
"Kadhafi, é hora de partir", entoava a multidão que levava um pôster do líder líbio.
Um dos manifestantes, que se apresentou à AFP como Safwan Jammoum, de 30 anos, afirmou ter-se demitido do setor cultural da embaixada líbia em Londres junto com oito colegas diplomatas.
"Eu me demiti hoje. Queria me juntar ao meu povo, meus irmãos", disse. O embaixador, apesar de tudo, continua em seu posto.
Ao ser perguntado sobre a repressão sangrenta aos manifestantes na Líbia, Safwan Jammoum acrescentou: "Qualquer um que fizer isto ao seu povo é um criminoso".
Na noite de segunda-feira, um pequeno grupo de pessoas, entre elas vários diplomata líbios, aplaudiu uma manifestação durante a qual foi substituída a bandeira da Líbia do mastro em frente à embaixada de Londres pelo antigo pendão do reino da Líbia, abandonado depois do golpe de estado que levou o coronel Kadhafi ao poder, em 1969.
Preta, com duas faixas, uma vermelha e outra verde, uma estrela e uma lua crescente, a bandeira da monarquia líbia (1951-1969) foi agitada por manifestantes contra Kadhafi como um símbolo da insurreição em curso.
No entanto, na manhã desta terça-feira, a bandeira verde do regime de Kadhafi voltou ao seu lugar no alto do mastro da embaixada de Londres.