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Tunísia suspende atividades do partido de Ben Ali

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TÚNIS, 6 fevereiro 2011 (AFP) - O ministério do Interior da Tunísia anunciou neste domingo a suspensão das atividades da Assembleia Constitucional Democrática (RCD), o partido do presidente deposto Zine El Abidine Ben Ali, e afirmou que prevê sua dissolução, após um fim de semana marcado pelo aumento da violência em várias províncias.

"Com o objetivo de preservar o interesse supremo da nação e evitar qualquer violação da lei, o ministro do Interior decidiu suspender todas as atividades do RCD, proibir todas as reuniões e concentrações organizadas por seus membros e fechar todos os locais que pertencem ao partido ou que são geridos pelo mesmo", informa o comunicado.

O ministro do Interior, Fahrat Rajhi, tomou estas medidas "antes de apresentar uma demanda oficial perante a justiça visando a dissolução" do partido, acrescenta o texto.

Esta decisão, pedida por muitos tunisianos desde a queda do presidente Zine El Abidine Ben Ali, no dia 14 de janeiro, é tomada em um contexto muito tenso.

O governo se vê confrontado com um aumento dos combates e da violência em várias regiões do país, quando acaba de reduzir o toque de recolher, em vigência desde 12 de janeiro.

As autoridades de transição enfrentam, por um lado, os protestos sociais e políticos, em particular contra as recentes nomeações de governadores, e, por outro, atos de violência que acredita que são realizados pelo RCD para tentar desestabilizar a transição.

Neste domingo à tarde, reinava uma calma precária na cidade de Kef, controlada pelo exército após diversos confrontos entre policiais e jovens manifestantes, que incendiaram uma delegacia.

O incêndio foi "controlado pelos bombeiros que trabalharam sob proteção do exército", declarou à AFP Rauf Hadaui, sindicalista da cidade contactado por telefone.

A delegacia já havia sido parcialmente incendiada no sábado por manifestantes, que exigiam a destituição do chefe da polícia local.

Neste domingo, o prédio foi atacado novamente, desta vez por grupos de jovens que também realizaram saques na cidade, segundo a mesma fonte.

Quatro pessoas morreram nos confrontos de sábado, segundo fontes sindicais, e dois, de acordo com a polícia. Não há informações sobre eventuais vítimas dos confrontos deste domingo.

No sábado à noite, os distúrbios se estenderam à cidade de Kebili (sul), onde um jovem morreu após ser atingido na cabeça por uma bomba de gás lacrimogêneo, indicou a agência oficial TAP.

Segundo a agência, as forças de ordem enfrentaram um grupo de jovens que tentavam atacar e incendiar um quartel da guarda nacional.

Na área de mineração do oeste do país, o novo governador de Gafsa, Mohammed Guider, viu-se obrigado neste domingo a abandonar seu gabinete a bordo de um veículo do exército, sob a pressão de muitos manifestantes que pediam sua renúncia, segundo a mesma fonte.

Após uma série de demissões na cúpula da polícia e a substituição dos governadores das 24 províncias do país, o governo esperava uma melhora na situação.

Mas nos últimos dias manifestantes e partidos de oposição questionaram as nomeações de alguns governadores, considerados muito próximos ao antigo regime, e pedem uma limpeza profunda em todas as instituições.