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Egito: grupo de oposição diz ter iniciado diálogo com governo

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CAIRO - A Irmandade Muçulmana, um dos principais grupos da oposição no Egito, afirmou em um comunicado na madrugada deste domingo (hora local) que "iniciou um diálogo" com as autoridades egípcias para ver "até que ponto elas estão dispostas a aceitar as exigências da população".

Um responsável do movimento afirmou, sem se identificar, que "foi realizada uma reunião no sábado de manhã entre os responsáveis da Irmandade Muçulmana e o vice-presidente Omar Suleiman".

"Desejando preservar os interesses da nação e de suas instituições e ansiosos para preservar a independência do país e sua rejeição de qualquer interferência internacional ou regional em nossos assuntos internos, iniciamos um diálogo para ver se eles estão dispostos a aceitar as exigências da população", afirma o comunicado.

 

Protestos convulsionam o Egito

Desde o último dia 25 de janeiro - data que ganhou um caráter histórico, principalmente na internet, pelo uso da hashtag #Jan25 no Twitter -, os egípcios protestam pela saída do presidente Hosni Mubarak, que está há 30 anos no poder. No dia 28 as manifestações ganharam uma nova dimensão, fazendo o governo cortar o acesso à rede e declarar toque de recolher. As medidas foram ignoradas pela população, mas Mubarak disse que não sairia. Limitou-se a dizer que buscaria "reformas democráticas" para responder aos anseios da população a partir da formação de um novo governo.

A partir do dia 29, um sábado, a nova administração foi anunciada. A medida, mais uma vez, não surtiu efeito, e os protestos continuaram. O presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da polícia antimotins. Enquanto isso, a oposição seguiu se organizando. O líder opositor Mohamad ElBaradei garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Já os Irmãos Muçulmanos disseram que não iriam dialogar com o novo governo. Na terça, dia 1º de fevereiro, dezenas de milharesde pessoas se reuniram na praça Tahrir para exigir a renúncia de Mubarak.

A grandeza dos protestos levou o líder egípcio a anunciar que não participaria das próximas eleições, para delírio da massa reunida no centro do Cairo. O dia seguinte, 2 de fevereiro, no entanto, foi novamente de caos na capital. Manifestantes pró e contra Mubarak travaram uma batalha campal na praça Tahrir com pedras, paus, facas e barras de ferro. O número de mortos é incerto, entre seis e dez, e mais de 800 ficaram feridos. No dia 3, o governo disse ter iniciado um diálogo. A oposição negou. O premiê Ahmed Shafiq foi à TV e disse que a violência contribui para a "destruição do Egito". Sem maiores confrontos, o terror passou para o lado de alguns jornalistas, que foram agredidos, roubados e obrigados a sair do país.

 

Biden pede a Suleimán 'medidas imediatas' para a democracia

O vice-presidente americano, Joe Biden, afirmou neste sábado ao vice-presidente egípcio, Omar Suleimán, que são necessárias "medidas imediatas" para implementar reformas democráticas, em resposta às manifestações contra o governo, informou a Casa Branca.

Biden "pediu (a Suleimán) credibilidade, assim como negociações para a transição do Egito em direção a um governo democrático que responda às aspirações do povo egípcio", segundo um comunicado.

"Enfatizou a necessidade de concretizar uma agenda de reformas, uma cronologia clara e medidas imediatas que demonstrem ao público e à oposição que o governo egípcio está comprometido com as reformas", acrescenta.

Além disso, "manifestou sua preocupação com os contínuos ataques à sociedade civil e pediu a libertação imediata de jornalistas, ativistas e defensores dos direitos humanos detidos sem motivo".

A declaração de Biden foi divulgada após o governo de Barack Obama saudar o "passo positivo" da renúncia em massa dos líderes do partido do presidente Hosni Mubarak.