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EUA se distanciam de declarações de ex-embaixador sobre papel de Mubarak

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O governo dos Estados Unidos se distanciou neste sábado das declarações do ex-embaixador no Egito Frank Wisner, que afirmou que o ex-presidente Hosni Mubarak deve permanecer no cargo durante a transição.

Wisner "falava em seu nome e não em nome do governo dos Estados Unidos", disse um funcionário de Washington sob condição de anonimato.

Wisner é um influente diplomata aposentado, que se reuniu com Mubarak na semana passada a pedido do presidente americano, Barack Obama.

O ex-embaixador referiu-se a Mubarak como "um velho amigo" dos Estados Unidos e disse que ele "deve permanecer no cargo para conduzir as mudanças".

"O prosseguimento da liderança do presidente Mubarak é crucial", disse Wisner neste sábado por meio de uma vídeoconferêmncia na Conferência sobre segurança que ocorre em Munique, Alemanha.

O diplomata aposentado acrescentou sobre Mubarak "que é sua oportunidade para escrever seu próprio legado. Ele concedeu 60 anos de sua vida a serviço do país, este é um momento ideal para que possa mostrar o caminho à frente".

Líderes do partido governista renunciam

Os Estados Unidos saudaram como "um passo positivo" a renúncia de integrantes do partido do presidente egípcio Hosni Mubarak neste sábado, enquanto instigam Mubarak a deixar o poder.

"Vemos isso como um passo positivo em direção a uma mudança política que será necessária, e esperamos outros passos", informou um funcionário do governo de Barack Obama.

Os membros do comitê-executivo do Partido Nacional Democrático (PND) do Egito renunciaram em massa neste sábado, incluindo o filho do presidente Hosni Mubarak, Gamal, informou a televisão estatal. 

Igreja em chamas

Uma igreja cristã de Rafah, no Sinai egípcio, fronteira com a Faixa de Gaza, estava em chamas neste sábado, informaram testemunhas à AFP. Uma pessoa, que estava a cerca de cem metros do local, afirma ter ouvido uma explosão e visto homens armados em uma motocicleta em frente ao templo.

Segundo a televisão estatal, o governador do Norte-Sinai, Abdel Wahab Mabrouk, desmentiu que tivesse havido qualquer explosão na igreja, afirmando que a única detonação deste sábado foi contra o gasoduto que abastece a Jordânia e Israel.

Em geral, policiais vigiam os locais de culto cristãos, após os ataques contra a comunidade Copta do Egito. Na madrugada de 1º de janeiro, um atentado foi praticado contra uma igreja de Alexandria (norte do Egito), fazendo mais de 20 mortos.

Ataque a gasoduto

Um grupo atacou na manhã deste sábado, com explosivos, um gasoduto que abastece Israel e a Jordânia, em Sheikh Zuwayed, norte do Sinai, a 10 quilômetros da Faixa de Gaza, informou um dirigente egípcio. O ataque, interpretado como sabotagem, acontece no momento em que a revolta contra Hosni Mubarak entra no décimo segundo dia. A paralisação do abastecimento de gás exportado do Egito custará à Jordânia perdas de US$ 3,5 milhões por dia, declarou um dirigente jordaniano.

Após a ação, as autoridades egípcias cortaram o abastecimento nas duas seções em que se divide o duto, uma levando gás à Jordânia e a outra, a Israel. Com a interrupção, foi contido um incêndio de grandes proporções, cuja fumaça podia ser vista da Faixa de Gaza, a 70 quilômetros do local.

"O gás egípcio cobre 80% das necessidades elétricas da Jordânia", que importa 6,8 milhões de metros cúbicos de gás por dia do Egito.

Israel já havia decidido interromper provisoriamente as importações de gás natural egípcio, após consulta entre o premier Benjamin Netanyahu e o ministro da Infraestrutura do Cairo, Ouzi Landau, em razão dos acontecimentos dos últimos dias, segundo a rádio israelense.

O Egito, que foi o primeiro país árabe a assinar a paz com o Estado hebreu, em 1979, fornece 40% do gás natural consumido por Israel.

No dia 1º de fevereiro, Israel havia dito que se preocupava cada vez mais com o abastecimento proveniente do Egito, em seguida à revolta que abala o país, com quem o Estado hebreu concluiu em dezembro acordos para o fornecimento de, pelo menos, 1,4 bilhão de metros cúbicos.

Com a construção concluída em 2007, o gasoduto submarino, de 100 km encaminha o gás desde Al-Arich até o porto israelense de Ashkelon, perto de Tel-Aviv.