Primeiro-ministro diz que violência contribui para destruição do Egito

CAIRO - O primeiro-ministro egípcio, Ahmed Shafiq, pediu paz aos manifestantes e disse que a violência apenas contribui para a "destruição do Egito". Na declaração, transmitida pela TV estatal nesta quinta, o chefe do novo governo também se disse surpreso pela presença de cavalos e camelos na manifestação de ontem. "Eles devem ter vindo das pirâmides", disse.

Mais cedo, Shafiq havia pedido desculpas aos cidadãos pelos incidentes da véspera na praça de Tahrir e garantiu que foram consequência de um "claro erro" na segurança, que está sendo investigado. Além disso, se declarou disposto a dialogar com os manifestantes que há dez dias lideram uma rebelião popular contra o presidente Hosni Mubarak.

"Apresento todas as minhas desculpas pelo que aconteceu ontem e será feita uma investigação", declarou, em coletiva de imprensa transmitida pela TV. Shafiq, nomeado premier em uma reestruturação do presidente Mubarak, assegurou que novos atos de violências não voltarão a ocorrer. "O objetivo de quem fez ataques na praça Tahrir era semear o caos", acrescentou.

Desde o dia 25 de janeiro - data que ganhou um caráter histórico, principalmente na internet, pelo uso da hashtag #Jan25 no Twitter -, os egípcios pedem a saída do presidente Hosni Mubarak, que está há 30 anos no poder. No dia 28, as manifestações ganharam uma nova dimensão, fazendo o governo cortar o acesso à rede e declarar toque de recolher. As medidas foram ignoradas pela população, mas Mubarak disse que não sairia. Limitou-se a dizer que buscaria "reformas democráticas" para responder aos anseios da população a partir da formação de um novo governo.

A partir do dia 29, um sábado, a nova administração foi anunciada. A medida, mais uma vez, não surtiu efeito, e os protestos continuaram. O presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da polícia antimotins. Enquanto isso, a oposição seguiu se organizando. O líder opositor Mohamad ElBaradei garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Já os Irmãos Muçulmanos disseram que não iriam dialogar com o novo governo.

Na terça, dia 1º de fevereiro, dezenas de milhares de pessoas se reuniram na praça Tahrir para exigir a renúncia de Mubarak. A grandeza dos protestos levou o líder egípcio a anunciar que não participaria das próximas eleições, para delírio da massa reunida no centro do Cairo.

O dia seguinte, 2 de fevereiro, no entanto, foi novamente de caos na capital. Manifestantes pró e contra o governo Mubarak travaram uma batalha campal na praça Tahrir com pedras, paus, facas e barras de ferro. O número de mortos é incerto, entre seis e dez, e mais de 800 pessoas ficaram feridas.

No dia seguinte, o governo disse ter iniciado um diálogo com os partidos. Mas a oposição nega. Na praça Tahrir e arredores, segue a tensão.