Obama diz a Mubarak que transição no Egito deve começar 'agora'

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, revelou que disse ao presidente Hosni Mubarak que a transição política ordenada e pacífica deve começar "agora" no Egito. Em sua primeira reação após o anúncio de Mubarak, de que deixará o cargo após as eleições de setembro, Obama reiterou de que não é papel dos Estados Unidos escolher o líder do Egito.

Obama colocou mais pressão sobre Mubarak, um aliado dos EUA há 30 anos, mas não se juntou às multidões de manifestantes que pedem para que ele saia do poder imediatamente. "O que está claro, e que eu indiquei hoje ao presidente Mubarak, é a minha crença de que uma transição ordenada deve ser significativa, deve ser pacífica, e deve começar agora", disse Obama, minutos depois de conversar por telefone com o líder egípcio.

Obama fez um gesto em direção à multidão de jovens egípcios que reagiram com raiva ao anúncio de Mubarak de que permanecerá no poder até setembro. "Para as pessoas do Egito, particularmente aos jovens do Egito, eu quero ser claro, nós ouvimos as suas vozes. Eu tenho uma convicção firme de que vocês irão determinar seu próprio destino", afirmou Obama na Casa Branca.

O presidente americano também elogiou o Exército egípcio por permitir que milhares de pessoas protestassem pacificamente contra o governo de Mubarak. "Eu quero elogiar o Exército egípcio pelo profissionalismo que demonstrou enquanto protegia as pessoas do Egito", disse Obama.

"Nós vimos tanques cobertos com bandeiras e soldados e manifestantes nas ruas se abraçando. E, seguindo adiante, peço aos militares que continuem com seus esforços para ajudar a garantir que este tempo de mudança seja pacífico", completou.

Mais cedo, um funcionário americano que não quis se identificar confimou à AFP uma informação do The New York Times que dizia que Obama pedira a Mubarak que não se apresentasse às eleições egípcias de setembro, através de mensagem transmitida por um ex-embaixador americano no Cairo, Frank Wisner.

E antes disso, ainda nesta terça-feira, um funcionário americano revelou que a embaixadora dos Estados Unidos no Cairo, Margaret Scobey, conversou por telefone com Mohamed ElBaradei, um dos líderes da oposição egípcia. Margaret Scobey repetiu a ElBaradei a posição pública dos Estados Unidos sobre a crise: Washington deseja a transição política, mas não quer ditar para o Egito a direção a tomar, segundo a mesma fonte.