Principal movimento de oposição no Egito se recusa a dialogar com primeiro-ministro

CAIRO - O movimento islamita Irmandade Muçulmana, a maior força de oposição no Egito, rejeitou hoje qualquer diálogo com o novo primeiro-ministro, general Ahmed Shafiq, e criticou o presidente Hosni Mubarak por o ter escolhido para o cargo. O movimento afirma que só irá dialogar com o Exército, único órgão em que confia para realizar uma possível transferência de poder pacífica.   

O dirigente da Irmandade Muçulmana, Mahmud Gazali, insistiu que o povo quer a queda do regime. Ele afirmou ainda que, caso Mubarak não deixe a Presidência, os cidadãos continuarão os protestos.

Neste domingo, a oposição egípcia anunciou a criação de um comitê do qual fazem parte, entre outros grupos, a Irmandade Muçulmana e a Coligação Nacional para a Mudança, liderada pelo ex-presidente da Agência Internacional de Energia Atômica e Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, com a missão de se aproximar dos militares para criar canais de comunicação.

Pelo menos 125 pessoas morreram e cerca de 2 mil ficaram feridas nos protestos contra o regime de Mubarak, que começaram terça-feira.