ONU diz que apesar dos avanços, maioria dos pobres do mundo vive em zonas rurais

BRASÍLIA - Apesar de mais de 350 milhões de habitantes de zonas rurais terem escapado da pobreza nos últimos dez anos, a maioria dos pobres do mundo continua morando nessas áreas. A constatação é do relatório Pobreza Rural 2011, produzido pela Organização das Nações Unidas. O documento pede mais investimento na agricultura e mais esforços para aumentar os meios de subsistência das populações rurais.

Segundo o relatório, divulgado esta semana pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida), na última década, verificou-se uma queda geral da pobreza extrema, ou seja, da proporção de pessoas que vivem com menos de 1,25 dólares por dia, que passou de 48% para 34%. O estudo salienta também os progressos registrados no Leste Asiático, sobretudo na China, onde o número de pessoas que vivem na pobreza extrema sofreu uma redução de dois terços na última década.

Apesar destes avanços, 70% dos 1,4 bilhão de habitantes que vivem na pobreza extrema em países em desenvolvimento residem em zonas rurais, informou o Fida. A pobreza rural é particularmente acentuada na África Subsaariana e no Sul da Ásia. Na África Subsaariana vive quase um terço dos habitantes extremamente pobres de zonas rurais, cujo número aumentou de 268 milhões para 306 milhões, nos últimos dez anos.

“Embora na África Subsaariana a taxa de pobreza extrema das zonas rurais tenha baixado de 65% para 62%, continua a ser de longe a mais elevada de todas as regiões”, diz o relatório.

Do mesmo modo, na última década as taxas de pobreza rural apenas diminuíram ligeiramente no Sul da Ásia, que tem agora o maior número de pobres rurais – cerca de 500 milhões – de todas as regiões e sub-regiões. Quatro quintos do total de pessoas que vivem na pobreza extrema no Sul da Ásia encontram-se em zonas rurais.