YANGUN - O ícone da democracia em Mianmar, Aung San Suu Kyi, fez um apelo nesta segunda-feira a uma "revolução não violenta" no país - a antiga Birmânia, dois dias depois de ter sido libertada pela junta militar que governa o país.
A ativista política e prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi disse à BBC, na sede de seu partido, a Liga Nacional pela Democracia (LND, dissolvida), ter certeza de que a democracia chegará ao país, mas admitiu não saber quando. Afirmou também que aproveitará toda a oportunidade que aparecer para falar com integrantes da junta militar que governa o país.
Suu Kyi foi libertada seis dias depois da primeira eleição realizada no país em 20 anos. Seu partido, o LDN, que ganhou a eleição anterior mas foi impedido, pela junta militar, de assumir o governo, boicotou o novo pleito, um processo amplamente acusado de fraude pela comunidade internacional.
Aung San Suu Kyi retomou o trabalho na manhã desta segunda-feira na sede do partido, no dia seguinte de seu primeiro discurso político desde 2003. A Prêmio Nobel da Paz havia pedido domingo a união da oposição, dizendo também que ouviria a todos, antes de decidir uma estratégia política.
Suu Kyi também disse que estaria disposta a encontrar-se com o generalíssimo Than Shwe, o homem forte da junta militar que governa o país, reiterando "não sentir rancor" contra os que a detiveram.