ESTOCOLMO - O ativista chinês Liu Xiaobo foi o vencedor do Prêmio Nobel da Paz 2010. Liu, um ex-professor de literatura que passou os últimos 20 anos entrando e saindo de prisões chinesas por defender uma reforma democrática, é o primeiro cidadão da China a receber o prêmio. Atualmente, Liu cumpre 11 anos de prisão por ter publicado um manifesto em defesa da liberdade de expressão e de eleições multipartidárias no país.
A premiação não agradou a outros ativistas chineses. Muitos deles, que vivem no exterior, tinham pedido ao Comitê do Nobel que não premiasse Liu, alegando que ele teria abandonado membros perseguidos do movimento espiritual Falun Gong e de ser brando com a liderança chinesa.
Liu, de 54 anos, foi detido pela primeira vez após os célebres protestos do movimento estudantil na praça da Paz Celestial, em Pequim, em junho de 1989, violentamente reprimidos pelo governo.
Em dezembro de 2009, o dissidente foi condenado a 11 anos de prisão por "subversão", em um julgamento que gerou uma onda de protestos por todo o mundo. Liu foi preso novamente em 2008 por ter sido um dos 10.000 signatários da Carta 08, petição formulada para exigir reformas políticas no regime comunista chinês.
Ao anunciar o prêmio, o presidente do Comitê Nobel, Thorbjoern Jagland, afirmou que a China, segunda maior economia mundial, deveria assumir "mais responsabilidades" devido a seu cada vez mais importante papel no cenário internacional.
O Prêmio Nobel da Paz é tradicionalmente entregue em Oslo no dia 10 de dezembro.